Transportes garantem avanço dos serviços

Setor apresentou alta de 8,5% em sua receita bruta no ano passado. Resultado foi positivo, mas abaixo dos 10% de 2012

Marinella Castro
postado em 20/02/2014 00:00
O setor de serviços, responsável por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, perdeu fôlego no ano passado. Mas ainda assim fechou 2013 com crescimento de 8,5% na receita bruta, o que corresponde a avanço de 2,35% acima da inflação apurada para o período. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o setor que mais impulsionou o crescimento foi o de transportes e serviços auxiliares e Correios, com alta de 10,8% no ano passado. Em Minas Gerais os serviços também fecharam 2013 em alta, de 5,9%. Apesar do resultado positivo, em 2012 tanto o estado quanto o país avançaram mais: 10%.
Também em Minas o segmento que mais contribuiu para a performance do setor foi o de transportes e Correios. Para ter ideia, em dezembro, a expansão geral dos serviços no estado foi de 4,8%, abaixo da média nacional, de 8,4%. Mas o segmento de transportes e Correios sozinho avançou 9,6%.
Paulo Sérgio da Silva, presidente do Conselho Administrativo da Tora Transportes Industriais, atribui o crescimento do segmento a dois fatores: ;Os novos projetos de mineração e o programa de estímulo ao investimento na área, com taxas de juros de 3% ao ano e com até 10 anos para pagar, estimularam investimentos no ano passado;. Para ele, esses dois fatores contribuíram para o avanço do segmento em um período de baixo crescimento da indústria e do comércio. Paulo Sérgio também considera que o avanço do agronegócio em regiões como o Triângulo Mineiro também ajudaram a manter aquecida a demanda para os transportes em 2013.
Apesar de trazer resultado inferior ao apurado em 2012, o avanço do setor de serviços está compatível com a variação do PIB (estimado pelo mercado em 2,2%). ;Também está acima do rendimento real médio do trabalhador, de 1,8%, e compatível com o avanço da massa salarial;, observa Roberto Piscitelli, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, alguma desaceleração no setor de serviços é até desejável para reduzir as pressões sobre a inflação.

Mais renda O avanço do setor foi impulsionado nos últimos anos pela expansão do mercado de trabalho, da massa salarial, da formalização da mão de obra e pelo crédito, que possibilitou investimentos como parcelamento das viagens aéreas e dos pacotes turísticos. ;Os preços do setor vinham crescendo a um ritmo superior ao da inflação, exercendo uma pressão para além do centro da meta;, diz Piscitelli. ;A medida que a população ganha renda há uma migração para o setor de serviços. Após algum tempo, esse movimento deve ter uma acomodação.;
O técnico do IBGE Nilo Macedo explica que o segmento (transportes e Correios) tem peso de 40% no resultado geral dos serviços, que fechou no país com alta de 8,4% em dezembro de 2013. Já a área de informação e comunicação avançou no mesmo período 7%, contribuindo com 30% da composição do resultado. Já o consumo das famílias, que envolve serviços de alojamento e alimentação, além de uma infinidade de pequenos serviços prestados aos domicílios, avançou 9,5%, mas sua contribuição para o resultado final é de apenas 7,1%.
A pesquisa do IBGE considera a renda bruta das empresas, abrange as atividades do segmento empresarial não financeiro, exceto os setores de saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram).

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