Seleção menos estrelada

Eugênio Moreira
postado em 20/02/2014 00:00
 (foto: Arquivo EM/D.A Press-9/10/74)
(foto: Arquivo EM/D.A Press-9/10/74)
Os jogadores convocados pelo técnico Zagallo para tentar o tetracampeonato mundial em 1974, na Alemanha, foram anunciados com muita antecedência. Em 19 de fevereiro, o Estado de Minas publicava em manchete: ;Piazza, único mineiro entre os 22;. No dia anterior, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) havia divulgado a lista, e o jornal destacou a ausência dos cruzeirenses Nelinho, Zé Carlos, Dirceu Lopes e Palhinha e do atleticano Romeu.

Nelinho, que figurava entre os 40 a ser inscritos na Fifa, se disse conformado: ;É lógico que, como qualquer outro jogador, eu gostaria de haver sido convocado. Mas ainda sou novo e posso esperar por outra chance;. A oportunidade, realmente, não demorou a surgir: em abril, Carlos Alberto (o capitão do tri) foi cortado devido a contusão e o lateral-direito, de 24 anos e revelado nacionalmente ao trocar o Remo pelo Cruzeiro em 1973, foi para seu primeiro Mundial.

Cortado por Zagallo quatro anos antes, às vésperas do embarque para o México, Dirceu Lopes recebeu com naturalidade mais uma ausência na Seleção. ;Sempre aguardava minha convocação com ansiedade e acreditava nela. Aos poucos, fui me acostumando e hoje não sofro tanto. Considero que foi uma nova injustiça que fizeram comigo, como tantas que já fizeram, mas reafirmo que estou sempre pronto para servir ao escrete do Brasil. Meu nome está na relação dos 18 reservas, isto poderia ser um consolo, mas não é, pois tenho certeza de que não serei chamado;, lamentou o armador.

O atacante Palhinha, igualmente decepcionado, reclamou de ;má vontade; de comentaristas de Rio e São Paulo. O volante Zé Carlos foi outro que só ficou entre os 40. Assim como o ponta-esquerda Romeu. ;Tenho lutado muito e vou continuar me esforçando sempre para ter uma chance em breve. Particularmente, acho que merecia ficar entre os 22, mas a decisão não é minha;, comentou o atleticano.

CONTESTADO Piazza foi chamado para a zaga, na qual havia atuado em 1970. ;Não tenho mais esta preocupação. Na Seleção, haverá tempo para minha adaptação como quarto-zagueiro. Conheço esta posição muito bem.; A presença dele, contestada por cronistas do Rio e de São Paulo, irritou Zagallo: ;Quem de vocês viu a transmissão dos jogos Cruzeiro x São Paulo e Cruzeiro x Palmeiras, ambos pelas finais (do Brasileiro de 1973)? Qual foi o melhor jogador em campo? Quem mais correu, mais lutou e melhor se comportou dentro do gramado? A convocação de Piazza está plenamente justificada. Ele está em grande forma. Seus 30 anos (faria 31 na semana seguinte) não importam;.

Para o cruzeirense, a perseguição era ainda reflexo do Manifesto de Glasgow, quando jogadores da Seleção fizeram greve contra a imprensa, durante excursão à Europa em junho de 1973. Como capitão do time, ele foi o mais cobrado pelos jornalistas que cobriam o giro.

Na Copa, Nelinho e Piazza (capitão e escalado de volante, com o corte de Clodoaldo) foram titulares nos três primeiros jogos. Nos seguintes, cederam as posições a Zé Maria, recuperado de contusão, e Carpegiani, por motivo técnico. Curiosamente, Nelinho seria chamado para o Mundial de 1978 às vésperas do embarque para a Argentina.

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