Rearranjo de forças políticas

postado em 19/02/2014 00:00

Brasília ; De um lado, Henrique Capriles, governador do departamento (estado) de Miranda e candidato nas eleições presidenciais de abril do ano passado. De outro lado, Leopoldo López, o economista que se projetou no exterior, ao desafiar o presidente Nicolás Maduro, e ganhou um espaço antes pertencente ao primeiro. Na tentativa de mostrar unidade, Capriles saiu às ruas de Caracas, em respeito ao colega. ;Fomos à concentração pacífica, em apoio a Leopoldo López, nossa solidariedade e respaldo. Ele fez o que tinha que fazer: enfrentar a perseguição;, escreveu o governador, por meio de seu perfil no microblog Twitter.

O vereador Freddy Guevara, coordenador político nacional adjunto do Voluntad Popular e braço-direito de Leopoldo López, garantiu que a unidade da oposição ;está absolutamente clara e alinhada a uma petição concreta;. ;Em primeiro lugar, nós queremos que a comunidade internacional forme uma comissão independente para analisar os assassinatos e as torturas. Não confiamos no sistema venezuelano;, afirmou. ;Em segundo lugar, exigimos o desarmamento dos ;colectivos;, que são grupos civis armados pelo governo. Em terceiro lugar, a liberdade dos presos políticos, incluindo López. Por último, a restituição da democracia na Venezuela.;

Competição Mais que uma disputa de poder entre Capriles e López, o cientista político José Vicente Carrasquero Aumaitre, professor da Universidad Simón Bolívar (Caracas), percebe uma competição no rearranjo de forças opositoras. ;Não vejo isso como algo que atente contra a unidade, mas como uma tentativa de Capriles de manter a posição de líder mais importante da oposição, enquanto López busca destacar seu perfil para competir por essa liderança;, explicou. Ele lembra que a oposição é uma representação de interesses multifacetados. ;Por cima deles, se impõe a unidade, fator de atração dos cidadãos. Não existe risco algum de divisão na oposição venezuelana. Veremos mais tentativas de reacomodação, a fim de maximizar benefícios, segundo interesses de cada grupo;, opina Aumaitre, em depoimento à reportagem, por telefone.

Carlos Michelangeli, deputado pela coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), tem a mesma percepção. ;A prisão de López provocou mostras de solidariedade da população, que seguirá nas ruas, lutando. Não existe divisão na alternativa democrática. Estamos profundamente unidos pela Venezuela;, garantiu o parlamentar. (RC)

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