Polícia confronta manifestantes

postado em 19/02/2014 00:00
 (foto: Damir Sagolj/reuters
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(foto: Damir Sagolj/reuters )




Bangcoc ; A crise política na Tailândia ganhou novos contornos ontem, com as forças de segurança investindo contra manifestantes numa operação que tinha o objetivo de retomar locais de protestos ao redor da sede do governo na capital e outras instalações governamentais no Norte da cidade. Há meses manifestantes ocupam prédios do governo, exigindo a renúncia da primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, e a polícia raramente interveio. Ontem, porém, a operação resultou nos piores confrontos desde o início da crise que colocou a classe média de Bangcoc e a aristocracia real contra os mais pobres, a maior parte de origem rural, que apoiam Yingluck e seu irmão, o bilionário ex-premiê Thaksin Shinawatra. Quatro pessoas foram mortas ; um policial e três manifestantes ; e mais de 60 pessoas ficaram feridas durante os confrontos.

Paralelamente, a Comissão Nacional Anticorrupção acusou Yingluck de negligência no gerenciamento do programa governamental de subsídios de arroz, o que pode levar a um processo de impeachment contra ela. A comissão disse que o governo de Yingluck manteve o programa apesar de avisos de especialistas de que ele poderia ser um desperdício e se fonte de corrupção. O pagamento aos agricultores está atrasado há meses.

A comissão disse que a premiê foi convocada a ouvir as acusações contra ela em 27 de fevereiro. Se a comissão decidir apresentar o caso ao Senado para um possível impeachment, ela será imediatamente suspensa de suas atividades oficiais. ;Embora ela soubesse que muitas pessoas alertaram sobre a corrupção no plano, ela ainda assim o levou adiante. Isso mostra sua intenção de causar perdas ao governo, então concordamos por unanimidade em indiciá-la (no caso)", disse a integrante da comissão Vicha Mahakhun por meio de comunicado.

A confusão começou com o disparo de gás lacrimogênio próximo à sede do governo, seguido de confrontos entre policiais e manifestantes. Não ficou claro quem atirou o gás e as autoridade acusam os manifestantes. Até o meio dia, a polícia havia em grande parte se retirado dos locais de protesto e as ruas estavam tranquilas. A polícia informou que foram atacados a tiros por um atirador de elite e que granadas M-79 também foram lançadas. ;Um policial morreu e 14 policiais ficaram feridos;, disse o comandante da polícia Adul Saengsingkaew à Reuters. ;Ele foi alvejado na cabeça.;

Os manifestantes tentam derrubar Yingluck, que veem como representante de Thaksin, um ex-magnata da telecomunicações deposto do cargo de premiê por um golpe militar em 2006. Eles querem a formação de um conselho popular, não eleito, para implementar reformas e encerrar a corrupção, além de manter a família Shinawatra fora da política. Desde o golpe de Estado de 2006, a Tailândia é cenário de reiteradas crises políticas, com manifestações sucessivas de partidários e inimigos de Thaksin. As massas rurais e urbanas desfavorecidas do Norte e Nordeste são leais ao ex-primeiro-ministro, enquanto as elites de Bangcoc o consideram uma ameaça para a monarquia.

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