Um robô em meio ao fogo cruzado

postado em 19/02/2014 00:00

GOSTEI
Emoção é a chave

Carolina Braga

Há temas em Robocop que poderão soar muito diferentes da versão dirigida pelo holandês Paul Verhoeven, em 1987. Ainda assim, não serão tão estranhos aos espectadores brasileiros, em especial os fãs de Tropa de elite. Já vimos não um, mas vários filmes que falavam sobre contrabando de armas e a influência da mídia nas decisões políticas, sem deixar de lado as implicações éticas que certas atitudes envolvem. Ainda mais quando há poder e dinheiro no meio.
Desta vez, porém, reencontramos essa costura de temas somada a uma discussão sobre o papel ; e os perigos do abuso ; da tecnologia no cotidiano das pessoas. Eis o Robocop de José Padilha. O remake tem um quê de Tropa de elite, mas com a roupagem hollywoodiana. É uma ficção científica com tudo o que o gênero requer. Se passa em 2029, mas fala muito
mais de presente que de futuro. Robocop é um filme de super-herói. Por isso não há por
que se espantar que ele tenha bastante efeitos especiais, tiros, destruições e afins. O bacana ; e de certa forma diferente ; na produção dirigida pelo brasileiro é que a pirotecnia comum a esse tipo de filme não exclua questionamentos básicos do homem. Afinal, o que nos faz humanos e nos diferencia de máquinas e dos outros animais? O que Padilha nos lembra é que emoção é chave para decisão em muitas situações. Ontem, hoje e sempre.

NÃO GOSTEI
Videogame insosso

Helvécio Carlos

A questão é simples: não fosse José Padilha na direção, Robocop não despertaria tanta atenção. O problema com as aventuras do robô travestido de policial está na sua gênese. Desde o original, dirigido por Paul Verhoeven, lançado no final dos anos 1980, o herói não conquistou tantos admiradores. Naquela época, o policial Alex J. Murphy, vivido por Peter Weller, não tinha a menor empatia e, visto hoje, o longa dá uma pontinha de vergonha alheia. Joel Kinnaman, o Robocop de Padilha, oferece um pouquinho mais de simpatia. Mesmo assim, não tem força suficiente para conquistar a plateia.
Em Hollywood, Padilha se refastelou no que a indústria do cinema norte-americana tem de melhor: tecnologia capaz de dar às cenas de ação gás suficiente para deixar todos com os olhos pregados na tela. Mesmo que em alguns momentos não funcione como novidade. As cenas de treinamento de Robocop parecem ter saído de videogames. E, cá para nós, atire a primeira pedra o diretor de ficção científica que nunca recorreu aos joguinhos eletrônicos. Isso sem contar com os tantos clichês dos filmes do gênero. Se o mercado americano convidou o diretor para um grande filme, não foi desta vez que mostrou seu potencial.

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