Mário Fontana/Interino

postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Fotos: Henrique Gualtieri/divulgação)
(foto: Fotos: Henrique Gualtieri/divulgação)
O Café com Letras da Savassi ficará aberto neste feriadão de carnaval. A trilha sonora está por conta dos DJs Maurinho
(hoje, a partir das 20h) e Alex C. (amanhã, no mesmo horário). A casa funciona na Rua Antônio de Albuquerque, 781.




A trilha sonora da folia


A cada ano aparecem novidades na avenida, mas as marchinhas, que surgiram nos anos 1920, continuam firmes e fortes na parada. Essa é a opinião do grupo convidado pela coluna para montar um set list afetivo da folia. Desde sábado, dedicamos este espaço ao reinado de Momo. Maíra Labanca e Maíla Costa posaram para as lentes de Henrique Gualtieri no barracão da Escola de Samba Cidade Jardim. A produção é de Rodrigo Cezário.





;A música de carnaval que mais me marcou foi A jardineira. Passei a infância na casa da minha avó e ela sempre a cantava. Na adolescência, pulei carnaval no interior com os primos. Entrávamos escondidos no clube só para ouvir a banda tocar e me apaixonei por Bandeira branca. Depois, passei um carnaval em Tiradentes, no ano em que só era permitido tocar marchinhas. Aurora não saiu mais da minha cabeça. Adoro marchinhas, elas fazem parte da minha memória afetiva, da casa de ;vó; e dos carnavais no clube, com confete e serpentina. Tenho playlist só delas no meu iPod.;
Maíra Labanca, cantora





;Carnaval é alegria, saber que a felicidade é infalível contra qualquer problema. É ser a dançarina que preenche o salão com charme e energia ; não a executiva em frente ao computador. É mais do que me fantasiar, mas viver a fantasia: posso ser quem eu quiser. É fazer o sorriso sambar e os pés sorrirem. É música, e diversas delas ajudam a contar a minha história. Nossa Ivetinha, sempre presente com Minha pequena Eva e Festa, há muitos anos, em Pitangui e Conceição do Mato Dentro. Quebra aê, do Asa de Águia, e Coração, do Tomate, nos tempos de Escarpas... Diga que valeu, do inesquecível Chiclete com Banana, em Cabo Frio. Desta vez, fico em BH. Vou curtir nossos bloquinhos de rua e me deliciar com o charme da Savassi.;
Maíla Costa, corretora de seguros

;Era muito pequena quando morava no Rio de Janeiro, mas me recordo de um baile infantil em que as marchinhas reinavam soberanas. Ficava frenética quando ouvia Aláláô! Ainda criança, já em BH, fui a um baile infantil e ouvi o samba-enredo Liberdade liberdade, abre as asas sobre nós, da Imperatriz Leopoldinense. Adorava aquele refrão. E o cantava assim: ;E que avó da liberdade seja sempre a nossa avó;. Na juventude, Requebra, do Olodum, foi marcante ; dancei muito, até o chão! Atualmente, as companheiras de carnaval são Deuses, divindades do Egito, Pra São Jorge e minha nova música, Eu sou assim. Elas não me saem da cabeça.
Nem dormindo...;
Aline Calixto, sambista

n ;O carnaval não é festa de uma música só. Todos os artistas, juntos, fazem a força desse grande evento. Até por isso é difícil destacar uma ou outra. Entre os hinos da folia, o que está sempre presente no meu repertório é Prefixo de verão, da Banda Mel. Ela retrata o clima de Salvador nesta época. Do meu set list, destacaria Festa, Sorte grande (Poeira), Arerê, Cadê Dalila? e Na base do beijo.;
Ivete Sangalo, cantora

;Entre os 12 e os 17 anos, passei vários carnavais na casa de um primo, em Araxá. Frequentávamos as matinês do Grande Hotel. De cara, nem sei por que, curtia muito duas marchinhas: Cabeleira do Zezé e Nós, os carecas. Chiquita bacana também está entre minhas preferidas. Depois dessa fase, comecei a viajar para outras cidades, como Diamantina, mas a farra já era mais importante do que o gosto musical. Depois de passar um bom período fora de BH nesta época do ano, fico por aqui com a minha mulher, Ana, e meus dois filhos. Quero levar João e Júlia, que ainda não pularam carnaval, a um dos blocos. Vou apresentá-los às marchinhas.;
Haroldo Ferretti, músico

;Música boa, alegre e animada é fundamental para elevar o clima de qualquer carnaval. No meu não podem faltar tradicionais marchinhas como Mamãe eu quero e Está chegando a hora. Gosto muito de Máscara negra. Curto muito o estilo indie, que não é batido como o eletrônico tradicional e combina com as reuniões de amigos e festinhas em casa. Nesta pegada entram bandas como Phoenix, MGMT, The Whitest Boy Alive, Empire of the Sun e Foster the People. Cada música tem o seu momento, mas o principal é todas serem alegres, deixando tudo mais festivo e animado.;
Rodolfo Brito, DJ

;Várias canções me trazem boas recordações. Samba, suor e cerveja, de Caetano Veloso, lembra os carnavais da adolescência nas cidades históricas mineiras, nos anos 1980. Me segura senão eu caio, de Alceu Valença, é hino da folia pernambucana que tanto amo e descobri 10 anos atrás. Voltei, Recife, outro hino pernambucano, entoa em minha alma todas as vezes em que ponho os pés naquela terra, independentemente da época do ano. Minha lembrança carnavalesca mais remota são os passeios com meus irmãos e meus pais, à noite, na Afonso Pena. Todos com os olhos vidrados na decoração de pierrôs iluminados, minha mãe cantando Bandeira branca, de Dalva de Oliveira. Por fim, Máscara negra, de Zé Keti. Carnaval sem Máscara negra não é carnaval.;
Ronaldo Fraga, estilista

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