A onda que varreu o mundo

postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Arquivo EM)
(foto: Arquivo EM)

Criada por críticos de cinema que resolveram aplicar a teoria à prática, a nouvelle vague revolucionou a cultura a partir dos anos 1960, influenciando várias gerações de diretores, atores e profissionais dedicados à reflexão sobre a sétima arte.

Inovações técnicas e temáticas marcam o legado dos diretores Alain Resnais, François Truffaut (1932-1984), Jean-Luc Godard (1930), Eric Rohmer (1920-2010) e Claude Chabrol (1930-2010), entre outros. Todos eles escreviam na famosa revista Cahiers du Cinéma, sob a liderança do respeitado André Bazin.

Contestando a estética convencional em voga nos anos 1950, os jovens franceses apostaram na transgressão e no chamado cinema de autor. O diretor, tal qual o pintor, se viu livre para usar a câmera como um pincel. Surgiram narrativas não convencionais, maneiras inusitadas de movimentar a câmera. Formas inovadoras de montagem conferiam novos sentidos às tramas. Personagens ganharam sensualidade jamais vista nas telas.

Ao padrão Hollywood e ao cinema comercial francês foram contrapostos assassinos em fuga, triângulos amorosos, cenas de nudez interpretadas por atores pouco conhecidos. Jean Seberg, Jean-Paul Belmondo, Anna Karina e Brigitte Bardot se tornaram ícones das telas graças à nouvelle vague

Entre os marcos da ;Nova Onda; estão os filmes Nas garras do vício, de Claude Chabrol; Acossado, de Godard; Os incompreendidos, de Truffaut; e Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais.

Glauber Resnais e seus companheiros influenciaram fortemente os brasileiros. ;Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça; ; lema de Glauber Rocha e do Cinema Novo ; é uma espécie de adaptação verde-amarela da nouvelle vague.

Essa influência, aliás, não se limitou às telas. Jules e Jim, filme de François Truffaut de 1962, causou forte impacto sobre os jovens Milton Nascimento e Márcio Borges, compositores que poucos anos mais tarde revolucionariam a MPB com o Clube da Esquina.

Em 1960, Glauber Rocha publicou crítica sobre Hiroshima... no jornal baiano Diário de Notícias. ;Alain Resnais não faz apenas um filme de ideias, ou mesmo um filme que é um ensaio do mais importante drama de nosso tempo, como também sublevou a forma cinematográfica e inaugurou o filme moderno, no sentido paralelo às outras artes, como pintura, poesia e música, cada vez mais distantes das formas narrativas do passado;, escreveu o cineasta brasileiro. (Com agências)


Saiba mais

Estreia aos 13


Alain Pierre Marie Jean Georges Resnais nasceu em 3 de junho de 1922, em Vannes, a 450 quilômetros de Paris. Aos 13 anos, ele dirigiu o primeiro curta-metragem, L;aventure de Guy. O cineasta deixou mais de 50 filmes. Hiroshima, meu amor foi o primeiro longa-metragem de ficção de sua carreira. Baseado em texto da escritora Marguerite Duras, o filme oferece uma reflexão poética sobre a bomba atômica. ntre os trabalhos mais conhecidos de Resnais estão A guerra acabou (1966), Providence (1977), Smoking e no smoking (1993) e Ervas daninhas (2009). A guerra foi retratada diversas vezes pelas lentes do diretor, cujo olhar político é sempre temperado com poesia.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação