Mercado para pequenos e grandes

Criadores medianos tendem a abandonar a criação de codornas por causa do custo da mão de obra. Já os menores podem se especializar em nichos ou vender para as granjas maiores

Zulmira Furbino
postado em 03/03/2014 00:00
Somente entre 2012 e 2013, a produção de equipamentos para codornas no país chegou a 3,4 milhões de unidades. Desse total, segundo a Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), 82% são automatizados e estão instalados em granjas com um plantel superior a 50 mil codornas. A produção das aves e dos ovos cresceu tanto que tendem a permanecer no mercado pequenos agricultores familiares (até 20 mil cabeças), que trabalham com nichos ou começam a produzir e vender para as grandes granjas. ;Ou o produtor é grande ou é pequeno. O que está no meio e depende de mão de obra vai cair fora;, afirma Benedito Lemos de Oliveira, diretor técnico do Aviário Santo Antônio e diretor de coturnicultura da Avimig.
Diante de alta demanda, as grandes empresas do setor começaram a trabalhar num esquema de integração, no qual fornecem ração e aves para serem criadas por pequenos produtores, que as revendem para o fornecedor. É o caso de Evandro Ribeiro de Carvalho, proprietário da Granja Naju, em Itanhandu, no Sul de Minas. Atualmente, o plantel é de 170 mil aves em postura. Em 1996, quando ele decidiu dar início ao negócio, eram apenas 5 mil. ;Comecei a criar codornas para ajudar minha irmã. Ela se casou e ficou grávida, mas meu cunhado perdeu o emprego;, lembra.
INDUSTRIALIZAÇÃO Naquela época, eles compravam ovos de outros produtores, selecionavam e embalavam com marca própria. ;Hoje, estamos iniciando um novo aviário com o objetivo de ampliar a produção para 250 mil aves. Evandro Carvalho lembra que a atividade da granja era somente a produção e comercialização de ovos in natura. ;Até que precebemos que o ovo industrializado é um ótimo nicho de mercado. Então criamos a indústria de conservas, que hoje produz 80 toneladas por mês;, observa. Os ovos são comercializados em distribuidoras, que têm como clientes restaurantes e salões de festa. ;O ovo industrializado é cozido, posto em conserva e mantido a 5 graus centígrados;, explica.
Hoje, são 32 funcionários e uma produção entre 650 e 790 caixas ao dia. Em 2008, eram apenas 10 caixas. ;Fomos crescendo e investindo em maquinário e estrutura;, diz Evandro Carvalho. Além da produção própria, a granja trabalha com oito criadores integrados. ;Nosso plantel não é tão grande. Optamos por ampliar a indústria e por trabalhar com integrados;, afirma. Em 2013, na comparação com 2012, as vendas do aviário cresceram 15%. A expansão mais vigorosa, segundo o empresário, ocorreu nos anos de 2009 e 2010, quando o avanço foi próximo a 50%. ;Agora, acabamos de adquirir uma envasadora automatizada, que faz a lavagem e a pesagem eletrônica e monta a embalagem automaticamente. O investimento foi de R$ 250 mil.;

Vedete nos restaurantes self-service

A alta demanda pelos ovos de codorna nos restaurantes self-service da capital mineira já elevou o produto à categoria do palmito. É o que explica o chef de cozinha do grupo Meet, que comanda a churrascaria Porcão em Belo Horizonte, Gladson Bezerra. De acordo com ele, de dois anos para cá a demanda cresceu cerca de 160%. O uso varia entre pratos de salada, in natura e em pratos quentes. O grupo compra, em média, 80 quilos por semana, divididos em 40 sacos, que já vêm esterilizados e em conserva, e devem ser mantidos em refrigerador.
;Hoje, em termos de preferência do cliente, o ovo de codorna é equivalente ao palmito, só que seu custo/benefício para os restaurantes é muito melhor. Os dois produtos estão no mesmo segmento. Nenhum deles pode faltar no bufê porque os clientes pedem imediatamente;, observa Gladson Bezerra. Há dois anos, eram consumidos apenas 30 quilos dos ovinhos por semana. Segundo Bezerra, o fato de o produto chegar industrializado e pronto para o preparo dos pratos ajuda muito.
No Restaurante Madá, no Bairro Funcionários, o uso do produto industrializado também é crescente. A proprietária, Maria de Fátima Pinho, diz que o ovo de codorna é oferecido em saladas e também in natura e em pratos especiais, como os que acompanham o tomate-cereja ;O custo/benefício vale a pena. Como ele já vem pronto, em conserva, não preciso contratar um funcionário para descascá-lo;, explica a empresária.
Mateus Reis, proprietário do Restaurante Ambrosio;s, na Savassi, serve a iguaria desde a inauguração da casa, há 13 anos. Ele compra cerca de 20 sacos por semana e serve os ovos de codorna numa barca. ;Servimos como compramos. O custo/benefício é ótimo porque ele já vem temperado. É só abrir o saquinho e despejar na barca;, explica. De acordo com ele, o consumo permanece estável e só varia de acordo com o movimento do estabelecimento. ;Não precisamos contratar ninguém para cozinhar ou descascar. Vem tudo prontinho;, diz. (ZF)

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