A refinaria e o curto-circuito

A campanha eleitoral nem começou ainda. Mas já tem combustível para pôr fogo nos ataques de lado a lado

Baptista Chagas de Almeida
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 22/11/2010)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 22/11/2010)

Uma pessoa refinada é uma pessoa muito educada. Não sei se uma semana pode ser refinada, mas esta, definitivamente não é. Subiu ; e muito ; o tom da campanha eleitoral que, a rigor, nem deveria ter começado. E tudo por causa da refinaria que a Petrobras comprou nos Estados Unidos. Pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves (MG) foi à tribuna do Senado cobrar explicações da própria presidente Dilma Rousseff sobre o fato de ela ter avalizado o negócio de US$ 360 milhões por 50% da Refinaria de Pasadena e que, depois de desentendimento com os sócios, chegou a US$ 1,2 bilhão, em razão de uma disputa judicial.

O detalhe é que, na época, Dilma era ministra-chefe da Casa Civil, presidia o conselho da Petrobras e votou a favor da compra da refinaria. Em nota, a presidente disse que o conselho não teria aprovado se tivesse todas as informações sobre as cláusulas do contrato. E classificou o resumo recebido como ;falho; e ;omisso;. O autor do resumo falho e omisso ainda trabalha na Petrobras. Nestor Cerveró é diretor financeiro da BR Distribuidora.

Enquanto isso, no Senado, mais um curto-circuito entre governista e oposição. A senadora Gleisi Hoffmann, que está se especializando em tomar essas atitudes, bateu boca mais uma vez com o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), outro que não leva desaforo para casa. Tudo porque o tucano acusou o governo Dilma de ter desestabilizado o setor elétrico, trazendo de volta à tona dos reservatórios vazios, o fantasma do apagão.

A campanha eleitoral nem começou ainda. Mas já tem combustível para pôr fogo nos ataques de lado a lado. Já tem energia suficiente para provocar curtos-circuitos entre os adversários. Só não encontrou ainda uma forma de fazer o debate sem chamuscar a paciência dos eleitores.

Chá de cadeira
O atraso de mais de uma hora na cerimônia de entrega simbólica dos primeiros cartões do Vale-Cultura do estado, ontem de manhã, no Museu de Artes e Ofícios (MAO), foi justificado pelo encontro da ministra da Cultura, Marta Suplicy, com o prefeito Marcio Lacerda, na sede do executivo municipal. Representantes de diversos setores participaram do evento, regado à boa MPB, ao vivo, enquanto Marta não aparecia. A ministra só não serviu uma dose do "chá de cadeira" à secretária de estado da Cultura, Eliane Parreiras, por um motivo simples: ela não compareceu à cerimônia e nem mandou representantes.

Tesoura afiada
Nota técnica preparada pela consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados constatou que o governo federal cortou todas ; eu disse todas ; as emendas parlamentares que não estão incluídas no Orçamento Impositivo determinado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada no ano passado. Entre os contingenciamentos feitos pelo governo, as emendas são o maior volume do total de R$ 44 bilhões, isso para tentar cumprir a meta fiscal. Não é à toa que a rebeldia tem sido grande no Congresso.

Água com açúcar
O ministro da Saúde, Artur Chioro, que sucedeu Alexandre Padilha no cargo, estreou ontem em audiência na Câmara dos Deputados em um ambiente nada saudável. O evento foi marcado por bate-bocas entre os parlamentares. Começou com Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Rogério Carvalho (PT-SE). E continuou com os xarás Vanderlei Siraque (PT-SP) e Vanderlei Macris (PSDB-SP). O ministro, que foi chamado para falar sobre a contratação de médicos cubanos, vai querer tomar um calmante quando for convocado de novo ao Congresso. Afinal, foi apertado também pelo deputado tucano Domingos Sávio (foto) sobre este assunto.

Apoio velado
Coleção de erros apontados pelos próprios petistas cometidos pela presidente Dilma Rousseff nos últimos tempos: ;Topar enfrentar o PMDB, indicar nomes técnicos na reforma ministerial tendo um período eleitoral pela frente. E subestimar a força do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), que tem apoio velado do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), aquele que não apareceu na posse dos novos ministros, para as armadilhas que prepara para o governo. Só para registro: na eleição da liderança do PMDB, o Palácio do Planalto, veladamente, apoiou Sandro Mabel (PMDB-GO).

Estamos em falta
Um fenômeno preocupa os dirigentes dos maiores partidos. Candidatos novos, de primeira viagem, procuraram pequenas legendas para se filiarem no ano passado, inclusive vereadores que vão tentar vôos maiores. Com isso, os partidos grandes têm dificuldade em compor o que chamam de miolo e rabo da chapa. Tanto que estão fazendo um esforço danado para encontrar entre seus próprios filiados mulheres, líderes de organizações empresariais e ex-prefeitos e, de ainda, convencê-los a disputar a eleição de outubro.

Pinga Fogo

Como era previsível, já que a briga era de cachorro grande com o PMDB, o governo cedeu e vai aceitar mudanças no projeto do Marco Civil da Internet. Mesmo assim, a votação ficou para a semana que vem.

Ademar Vasconcelos, juiz da Vara de Execuções Penais, pediu aposentadoria. Para quem não se lembra, é o magistrado que trombou de frente com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, por causa do mensalão.

Quem vai aproveitar a agenda amanhã em Belo Horizonte para se encontrar com a nova diretoria da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais é o secretário nacional de Atenção à Saude, Helvécio Magalhães.

Helvécio Magalhães vai apresentar algumas iniciativas do governo federal para tentar tirar as Santas Casas do histórico sufoco financeiro que passam, por causa da baixa remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS).

Depois do dinheiro na cueca, a vez das mulheres. Uma presa da Operação Lava-jato da Polícia Federal trazia 200 mil euros na calcinha. Pelo jeito, ela vai requerer visitas íntimas quando estiver na cadeia.

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai enviar à Justiça Eleitoral uma lista com 8 mil nomes de candidatos que têm ;Ficha- suja;. É isso mesmo. Nada menos que 8 mil ;fichas-sujas;. E o pobre do eleitor, consegue identificar todos?

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