Deputado faz defesa de PMs

postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Marcos Arcoverde/Estadão/Conteúdo)
(foto: Marcos Arcoverde/Estadão/Conteúdo)

Rio de Janeiro ; Relator do novo código disciplinar da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Iranildo Campos (PSD) defendeu ontem os policiais envolvidos no caso da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, de 38 anos, que foi arrastada por um carro da PM no Morro da Congonha, em Madureira, na manhã de domingo, após ser baleada durante uma operação policial na comunidade. Ao deixar a audiência que discutia o novo código disciplinar das corporações, Campos, que é policial há 26 anos, disse que os militares deverão ser absolvidos no futuro, pois não tinham a intenção de matar. ;Presídio foi feito para bandido, não para policial. Depois eles serão absolvidos, porque não tiveram vontade de matar;, disse, culpando o Estado por permitir o socorro de feridos em carros da polícia. Antes de ser eleito deputado estadual, Campos atuava como sargento da Polícia Militar na Baixada Fluminense.

Por sua vez, o advogado Jorge Carneiro Mendes, que defende o subtenente Rodney Miguel, um dos acusados de transportar no porta-malas do carro da PM o corpo de Cláudia Silva Ferreira, disse ontem que, quando o carro deixou a comunidade para levá-la ao hospital, moradores teriam tentado abrir o porta-malas para irem juntos à unidade de saúde e, de acordo com ele, isso pode ter feito o compartimento se abrir no meio do caminho. Cláudia acabou caindo do veículo, ficando presa pela roupa, sendo arrastada pelo asfalto por mais de 250 metros. Jorge Carneiro afirmou que somente depois de algum tempo os agentes perceberam que a porta estava aberta, ao olharem pelo retrovisor. Rodney afirmou ao advogado que, quando socorreu Cláudia na comunidade, ela ainda estava viva. Ainda segundo o advogado, os policiais foram ao Morro da Congonha para socorrer uma pessoa baleada. Rodney e o também subtenente Adir Serrano Machado e o sargento Alex Sandro da Silva deixaram o presídio Bangu 8, na Zona Oeste, para prestar depoimento na tarde de ontem na 29; DP (Madureira). A polícia também aguarda a família de Cláudia para depoimento.

O subtenente Rodney respondeu a dois processos por homicídio quando estava no batalhão de Magé, na Baixada Fluminense. Adir Machado também foi processado por homicídio, mas o inquérito foi arquivado em 2005. Os dois oficiais e o sargento Alex Sandro da Silva, que também estava no veículo policial, foram presos anteontem por determinação do comando da PM. As cenas que mostram Cláudia sendo arrastada pela Blazer da PM foram registradas em celular por um motorista de um carro que seguia atrás, que repassou o vídeo à imprensa. O trio será investigado pela Polícia Civil, que apura a morte de Cláudia, e responderá a Inquérito Policial Militar (IPM).

GOVERNADOR O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), recebeu na manhã de ontem os familiares da servente Cláudia Silva Ferreira, que exigiram mudanças na forma como moradores de comunidades são tratados durante operações policiais nesses locais. ;Se não fosse aquele cara que filmou, esse seria só mais um caso de morador inocente que tomou tiro, entrou no hospital e morreu;, afirmou o vigilante Alexandre Fernandes da Silva, de 41 anos, viúvo de Cláudia, referindo-se ao cinegrafista amador que filmou a cena. De acordo com o viúvo da servente, o governador pediu desculpas à família pelo episódio e prometeu empenho e rigor nas investigações. Sérgio Cabral ofereceu apoio para acelerar o processo de adoção dos quatro sobrinhos que a servente criava e a inclusão de seus parentes nos benefícios sociais do governo, além de garantir que a família de Cláudia será indenizada. Alexandre reafirmou que vai processar o estado.

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