Meio bilhão para MG

Ferrero Rocher anuncia investimento de R$ 200 mi na fábrica de poços e Coca-Cola está para concluir fábrica de mais de R$ 258 mi em Itabirito

Marta Vieira, Marinella Castro e Carolina Mansur
postado em 20/03/2014 00:00
Minas Gerais se confirma como polo de atração de investimentos no setor de alimentos em bebida. Apenas ontem, duas grandes empresas anunciaram e confirmaram aportes que somam quase R$ 500 milhões no estado. Confiante no crescimento da demanda brasileira de chocolates e doces, o grupo italiano Ferrero, fabricante no Brasil das marcas Ferrero Rocher, Rafaello, Nuttela, Kinder e Tic Tac, formalizou ontem com o governo de Minas Gerais investimentos de R$ 200 milhões na fábrica de Poços de Caldas, no Sul do estado.

E a Coca-Cola Femsa confirmou que sua nova fábrica em construção no distrito industrial de Itabirito, na Região Central do estado, começa a funcionar no terceiro trimestre. Ontem durante visita do governador Antonio Anastasia às obras que reúnem aportes da ordem de US$ 258 milhões, a empresa junto com a Fundação Coca-Cola Femsa Brasil anunciou nova injeção de recursos na ordem de R$ 800 mil, agora no Norte de Minas. O aporte é parte de projeto social da empresa que investe em plantas potalizadoras, tecnologia capaz de purificar a água tornando o produto próprio para o consumo humano. Ao todo, o projeto iniciado em 2012 soma repasses de R$ 1,3 milhão.

Demonstração do acirramento da concorrência no setor de chocolates, o aporte da Ferrero Rocher foi anunciado uma semana depois da divulgação da parceria feita pela suiça Lindt com a brasileira CRM, dona da Kopenhagen e da Chocolates Brasil Cacau, envolvendo a abertura de lojas Lindt no país. A Ferrero decidiu dobrar a capacidade de produção da unidade mineira, hoje limitada a 10 mil toneladas por ano, e construir no mesmo parque industrial um grande Centro de Distribuição.

O desafio do grupo italiano, segundo o diretor geral da Ferrero do Brasil e Cone Sul, Carlos Magan, é repetir até 2019 a mesma expansão do negócio conquistada nos últimos cinco anos, quando ela dobrou de tamanho em terras tupiniquins. ;Acreditamos no potencial de longo prazo do mercado brasileiro, que continua tão atrativo como quando chegamos aqui;, afirmou o executivo, ao comentar que na última década e meia a tendência no país tem sido de fortalecimento do consumo de chocolates de melhor qualidade, segmento em que a empresa atua. ;Isso para nós é muito positivo;, enfatizou.

O projeto de duplicação da fábrica de Poços, já em andamento, prevê o funcionamento em maio do Centro de Distribuição, capaz de atender toda a necessidade de depósitos refrigerados que a empresa vinha nutrindo com o aluguel de vários espaços. A expansão física do parque industrial estará concluída até o fim do ano, para o início das operações com toda a nova capacidade no primeiro trimestre de 2015. Além do aumento do volume produzido das marcas Rocher e Nutella, será introduzida a linha Kinder e parte da produção das balas Tic Tac, que o grupo traz de unidades que ficam fora do Brasil.
Do total dos recursos estimados, R$ 100 milhões serão destinados à compra de equipamentos, sendo metade deles importada, e os outros 50% consistem em obras civis. Carlos Magan anunciou a contratação de 100 funcionários para o quadro fixo da empresa, que, hoje, mantém 1 mil empregos no país, entre o pessoal da fábrica e o da área comercial. Outros 300 postos de trabalho temporários serão abertos para atender ao aquecimento do consumo durante à Páscoa. De acordo com o prefeito de Poços, Eloísio do Carmo Lourenço, a empresa se comprometeu a dar preferência à contratações da mão de obra local.

A duplicação da fábrica foi necessária também para abastecer os mercados em que a Ferrero atua na América do Sul. O investimento na unidade mineira é o maior da Ferrero no Brasil desde a implantação da fábrica em 1994 e reforça a presença das empresas italianas no país, avalia o embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta. São 850 estabelecimentos italianos no país, com 500 mil empregados, sendo 71 empresas e 50 mil funcionários em Minas, com investimento total histórico de 21 bilhões de euros. No ano passado, as inversões foram de 900 milhões de euros.

MUITOS LITROS Até 2015 a planta da Coca-Cola Femsa em Itabirito terá capacidade anual instalada para produção de 2,1 bilhões de litros de refrigerante, incremento de 47% na capacidade instalada da atual unidade de Belo Horizonte. Eduardo Lacerda, vice-presidente de assuntos corporativos e jurídico da Coca-Cola Femsa Brasil informou que dentro de um ano a fábrica será capaz de suprir a demanda de todo o mercado de Belo Horizonte, que vai se tornar auto-suficiente na produção dos refrigerantes da marca. ;A partir da unidade de Itabirito, Minas vai abastecer o estado e parte da região serrana do Rio de Janeiro.; Com a inauguração da nova fábrica, a Coca-Cola vai manter seu atual quadro de 3,5 mil empregos em Minas, sendo que na planta de Itabirito serão 1 mil vagas, preenchidas por mão de obra local e funcionários realocados da própria empresa. A unidade segue padrões de sustentabilidade e deve trazer economia no uso da água e também de energia elétrica.

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