Separatismo se espalha

postado em 20/03/2014 00:00


Kiev ; Enquanto a Crimeia consolida sua separação do Estado ucraniano, as autoridades de Kiev se preocupam com o surgimento de movimentos separatistas em outras áreas do país. Em cidades como Kharkiv, Lugansk, Donetsk, Mariupol e Odessa já se realizaram reuniões para debater a convocação de referendos semelhantes ao realizado na península. Vitali Klitschko, ex-lutador de boxe e um dos principais líderes da coalizão que assumiu o poder da Ucrânia após a queda do presidente pró-russo Viktor Yanukovich, pediu aos serviços de segurança que interviessem, chamando a atenção para possíveis provocações russas.

As regiões interessadas em abandonar a Ucrânia abrigam sólidas comunidades russas e foram palco de manifestações pró-Moscou nas últimas semanas. ;A Crimeia já está praticamente aceita como parte da Rússia e o debate, agora, deve se voltar para o leste da Ucrânia;, observa Reginaldo Nasser, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Embora o presidente Vladimir Putin tenha afirmado que não pretende anexar outras regiões do país vizinho, o estudioso observa que Moscou trabalha com o argumento de que a noção de respeito a zonas de influência que vigorava durante a Guerra Fria foi quebrada pelo Ocidente, com a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Putin garantiu proteção aos ;cidadãos compatriotas; em Donetsk, polo industrial na fronteira com a Rússia. Segundo o jornal espanhol El País, a cidade tem 68% de habitantes de língua russa. Na semana passada, um manifestante de 22 anos morreu em um confronto entre simpatizantes do governo de Kiev e partidários da aproximação com Moscou.

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