Asas à criatividade

Realidade aumentada entrega mais recursos ao reconhecer mais de um elemento gráfico, em vantagem sobre o QRCode. De brincadeiras a produtos comerciais, utilização é ampla

Silas Scalioni
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Silas Scalioni/EM/D.A Press)
(foto: Silas Scalioni/EM/D.A Press)

Um candidato a emprego manda um currículo por e-mail para uma empresa apenas com um gráfico QR Code impresso. Quem recebe o e-mail acessa o código que lhe fornece um link. É preciso, então, acessar o endereço que surge, para só assim conseguir ver as informações enviadas. Isso ocorreu recentemente com Herbert Rafael, diretor da empresa de comunicação digital 3bits. ;Se era para eu acessar um link, bastava a pessoa ter me enviado o endereço. Não era preciso gerar um QR Code, eu ter de direcionar uma câmera para ele, capturar a imagem e chegar ao mesmo resultado;, diz ele, ressaltando que a tecnologia é interessante, funciona bem, mas precisa ser acompanhada de boas ideias para criar coisa úteis.

Um QR Code, segundo ele, é uma sequência de caracteres representados de uma forma gráfica, que geralmente leva a um link para texto, vídeo, imagens etc. ;A informação presente ali é, entretanto, bem simples, devido à própria limitação da tecnologia. Cada ponto presente no gráfico é um caractere e para se ter uma informação complexa seria necessário uma infinidade de pontos, o que dificulta muito o processo. Outras tecnologias que utilizam o mesmo princípio, que é o de captar uma imagem com a câmera, fazem isso de forma mais fácil e ampla;, afirma.

Para ele, a realidade aumentada é a opção mais simples para se obter bons resultados, já que ela utiliza símbolos. ;Você cria algo ; imagem (inclusive em 3D), vídeo, texto, animação etc. ; e define um símbolo para aquele trabalho. Quando a câmera captura a imagem desse símbolo, automaticamente o que ele representa é exibido;, informa Herbert Rafael, destacando que a realidade aumentada não reconhece somente um elemento gráfico, como no QR Code, mas toda uma forma. ;Uma tendência é a chamada realidade aumentada vestível, ou seja, acessórios que carregam a tecnologia e que a pessoa usa para obter informações. Um exemplo disso é o Google Glass, os óculos criados pelo Google que possibilitam a interação dos seus usuários com diversos conteúdos em realidade aumentada.;

O QR Code, de acordo com ele, é atualmente uma boa ferramenta para ser aplicada em museus e bienais, para repassar informações sobre obras de arte. Em vez, por exemplo, de um audioguia, pode-se simplesmente pôr um QR Code ao lado de um quadro para que o visitante, com seu celular, consiga acessar links para arquivos de MP3 e informações gerais sobre a obra. ;Em uso comercial, QR Code pode ser aplicado ao lado de produtos, levando a páginas com informações sobre eles e até a endereços de compra. É preciso, porém, que o empresário crie páginas especiais para receber esse tipo de usuário, e não que simplesmente o leve a um link comum, que pode ser obtido de outra forma;, afirma.

Para Herbert Rafael, a possibilidade de criação da tecnologia de realidade aumentada é ilimitada. ;Pode-se até brincar com ela;, diz. A empresa criou um projeto abordando os 20 anos do disco Nevermind, da banda Nirvana, completados em 2011. A partir de uma música, foram selecionados três quadros que se transformaram em símbolos.

O primeiro se referia ao guitarrista, cantor e líder da banda, Kurt Cobain. O segundo representava os acordes de contrabaixo da música, e o terceiro, o som da bateria. Direcionando uma folha de papel com os três símbolos para a tela de um notebook, a música era apresentada na sua execução original. Mas era possível excluir um elemento e o som produzido. Era possível, então, ouvir e ver apenas Kurt Cobain tocando, sentir só o som da bateria ou somente o baixista. ;Foi uma brincadeira para mostrar o potencial da tecnologia e como ela pode ser explorada comercialmente;, completa.

interação Para Ricardo Wagner, também diretor da 3bits, a tecnologia apresenta muitos bons resultados para eventos. Ele cita a Exposição Tec Arte, onde a empresa criou ferramentas interativas usando símbolos, para que o visitante pudesse ter acesso a informações e imagens projetadas de pontos turísticos de BH e Ouro Preto.

Com o mesmo princípio, foi montada também uma grande mesa interativa exibida durante as comemorações dos 80 anos do jornal Estado de Minas. ;Criamos símbolos para vários assuntos e os colamos na base de vários objetos. O visitante pegava um desses objetos e o colocava sobre um determinado ponto da mesa. Uma câmera captava o símbolo e exibia sobre a superfície páginas do jornal com matérias relacionadas ao assunto. Por exemplo, um boneco do Galo com um símbolo colado embaixo dele abria vasto material sobre o Atlético. Graças à tecnologia, era possível escolher a matéria, virar a página, ampliá-la, interagir com os temas.;

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