Simulador de voo pode ter pistas de Boeing desaparecido

Simulador de voo pode ter pistas de Boeing desaparecido

FBI e autoridades da Malásia tentam resgatar informações apagadas de máquina instalada na casa do piloto do Boeing 777-200. Familiares de passageiros se revoltam com a falta de notícias

postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Edgar Su/Reuters)
(foto: Edgar Su/Reuters)





Doze dias depois do sumiço do avião da Malaysia Airlines, que no último dia 8 partiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim, autoridades malaias pediram ajuda ao FBI (a polícia federal norte-americana) para recuperar dados apagados do simulador de voo encontrado na casa do piloto, Zaharie Ahmad Shah. Apesar de suspeito, o fato de informações terem sido deletadas não significa, obrigatoriamente, que Shah tenha articulado um desvio da rota. Em declaração à imprensa, o ministro dos Transportes, Hishammuddin Hussein, pediu cautela, reforçou que a polícia não está acusando o piloto ou qualquer outro membro da tripulação do voo MH370 e classificou as investigações sobre o misterioso desaparecimento da aeronave de ;intensas;.

A rede de tevê americana CNN informou que ;discos rígidos pertencentes aos dois pilotos; estão sob análise de especialistas na base de Quantico, na Virgínia. Uma fonte policial citada pela publicação destacou que, apesar de a investigação ser importante, os dados apagados ;podem não dizer nada;. Na tentativa de evitar especulações, ele afirmou que o material deletado em 3 de fevereiro ;pode ser um detalhe muito insignificante no processo;.

O governo malaio fez um pedido contra conclusões antecipadas. ;Passageiros, pilotos e tripulantes continuam inocentes até que se prove o contrário. Pelo bem de suas famílias, nós pedimos que evitem especulações que possam deixar esse momento difícil ainda mais doloroso;, declarou Hishammuddin. Parentes dos 227 passageiros e dos 12 tripulantes do MH370 continuam em uma desesperada briga por informações. Depois de ameaçarem uma greve de fome, eles protestaram, ontem, em frente a repórteres de todo o mundo. Entre lágrimas e gritos, alguns deles foram retirados à força da sala onde uma entrevista coletiva foi realizada, em um hotel de Kuala Lumpur. ;Eles estão dizendo apenas para esperarmos por informações. Nós não sabemos por quanto tempo teremos que esperar;, disse uma mulher citada pela agência de notícias Reuters.

Instaladas em um hotel de Pequim, famílias angustiadas cobraram notícias, em clima de forte tristeza e de crescente tensão. ;Não temos outra forma de lidar com isso a não ser ficando nervosos e chorando. O modo com que vocês lidam com isso é mentido ou desempenhando um papel vergonhoso;, desabafou um familiar, em conversa com um funcionário da Malaysia Airlines, citado pela France-Presse. Autoridades malaias se comprometeram a enviar representantes à China para manter os parentes informados.

Tailândia
Enquanto os governos da China e das Ilhas Maldivas descartaram sinais da aeronave, a Tailândia anunciou ter detectado ;um avião não identificado; seis minutos depois de o voo MH370 perder o contato com as torres de transmissão. Um porta-voz da Aeronáutica do país explicou que a aeronave ;voava em direção sudoeste; e seguiu para o sul ;até Kuala Lumpur e o Estreito de Malaca, antes de rumar para o norte, ao Mar de Andaman, a oeste da península malaia;. Segundo ele, não é possível confirmar se esse era o avião desaparecido. A Malásia apelou para que países que possuam satélites ajudem o governo repassando informações.

Investigadores citados pela Reuters disseram crer que o avião tenha voado para o sul do Oceano Índico, referindo-se a uma faixa que se estende do oeste da Indonésia ao oeste da Austrália e usado pontos de passagem para orientar a navegação, depois de perder contato. Hishammuddin rejeitou a afirmação e acrescentou que ;não há pontos adicionais no plano de voo do MH370;.

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