Júri popular condena dez policiais militares

Júri popular condena dez policiais militares

postado em 20/03/2014 00:00
Dez policiais militares foram considerados culpados, ontem, pelo assassinato de oito presos no episódio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru, em outubro de 1992. A quarta etapa do julgamento condenou os agentes do Grupo Tático de Operações Especiais (Gate) a penas que variam de 96 a 104 anos de prisão em regime fechado. Com o resultado, sobe para 58 o número de policiais condenados, até agora, por 73 das 111 mortes registradas no Pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru, na Zona Leste de São Paulo. Todas as mortes ; com exceção de nove, para as quais não há provas ; têm a autoria imputada a agentes de segurança pública.

No Tribunal do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o advogado dos réus, Celso Vendramini, argumentou que eles vasculharam o Carandiru em busca de possíveis bombas, e não estiveram no terceiro pavimento do Pavilhão 9, onde morreram as oito vítimas, cujos processos foram julgados nesta semana. A tese de Vendramini foi classificada pelo promotor Eduardo Olavo Campo Neto como ;uma das maiores mentiras já contadas no júri brasileiro;. Vendramini também pediu aos jurados que escolhessem ;pelo bem; ; a PM de São Paulo ; contra o ;mal; ; o crime organizado. A versão do defensor, assim como o apelo higienista, não convenceu os jurados, que optaram pelas condenações sugeridas pelo Ministério Público de São Paulo.

Embora o episódio seja considerado uma das maiores carnificinas da história do sistema penitenciário mundial ; fruto da intervenção da Tropa de Choque para controlar uma briga entre presos ;, todos os PMs condenados podem responder em liberdade, pois as decisões da Justiça ainda são passíveis de recurso. A quarta etapa do julgamento, realizada ontem, foi concluída antes da terceira, cancelada em 18 de fevereiro, quando Vendramini abandonou o tribunal.

111

Número de presos mortos no Massacre do Carandiru, em outubro de 1992

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