Preparação contra atentados

Preparação contra atentados

Homens da Polícia Civil e da PM ocupam o Estádio Nacional para simular possíveis atos terroristas no Mundial que começa em junho. Agentes do DF receberam treinamento na Alemanha e usaram munição letal durante a ação

» SAULO ARAÚJO
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


A menos de 90 dias para o início da Copa do Mundo, as forças de segurança de Brasília se preparam para não serem surpreendidas durante a realização dos sete jogos disputados no Estádio Nacional Mané Garrincha. Na manhã de ontem, as polícias Civil e Militar colocaram em prática um longo e rigoroso treinamento antiterrorismo. Sessenta homens, entre agentes, praças e oficiais, simularam duas situações de atentados na arena. Para criar um ambiente de conflito mais próximo da realidade, usaram munição letal.

Na primeira delas, integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da PM, simularam o salvamento de um jornalista rendido atrás de um dos gols. No ensaio, um policial disfarçado de sequestrador apontava uma faca para o pescoço da vítima. Em linha, 10 militares avançaram contra o ;criminoso; e, antes de qualquer atitude contra o repórter, imobilizaram o bandido com uma arma de choque elétrico.

Outros três ;terroristas;, representados por balões, foram abatidos por dois atiradores de elite posicionados na cobertura do estádio. Eles usaram balas de verdade para acertar os alvos. Pouco depois, o helicóptero da PM planou no gramado. Da aeronave, saltaram, de rapel, quatro militares vestidos de preto e armados com fuzil que fizeram uma vistoria na área de confronto.

Na segunda simulação, agentes da Divisão de Operações Especiais (DOE), unidade da Polícia Civil, impediram a morte de uma autoridade que dava o pontapé inicial para uma das partidas. Da arquibancada, atiradores de elite identificaram um homem ; também representado por um balão ; armado com uma faca, pronto para atacar. Mesmo a quase 150m de distância, os snipers acertaram tiros precisos no alvo. A aeronave da Polícia Civil pousou no gramado e resgatou a autoridade, também interpretada por um agente.

A experiência de sediar pela primeira vez o maior evento esportivo do planeta obrigou com que as forças policiais da capital fizerama experiência de tropas que já promoveram a segurança dos jogos. No ano passado, homens do Bope e da DOE foram à Alemanha participar de um curso. Além de abrigar a Copa do Mundo de 2006, o país europeu revisou e aperfeiçoou todos os protocolos de segurança após o atentado de Munique, em 1972. ;Aprimoramos as nossas técnicas em um país com experiência prática relativa à segurança de grandes eventos esportivos;, ressaltou o tenente Rogério Nogueira, do Bope. Ele liderou a demonstração da PM.

Já o agente Daniel Matheus Peixoto, da DOE, acredita que o investimento no treinamento das corporações vai garantir uma Copa do Mundo tranquila em Brasília. ;Estamos preparados para enfrentar qualquer tipo de adversidade;, frisou.
Segundo o secretário extraordinário da Copa, Cláudio Monteiro, o público que comparecer ao Mané Garrincha durante o evento encontrará uma polícia preparada e discreta. ;Obviamente, esperamos não haver necessidade de usarmos a força, mas, se o uso dela se fizer necessário, todas as pessoas dentro do estádio estarão em segurança;, disse Monteiro.







Mais jogos

Brasília será a cidade que receberá mais jogos da Copa, sete no total. Em 15 de junho, Suíça e Equador farão a primeira partida e, no dia 19, a disputa será entre Colômbia e Costa do Marfim. O confronto entre Brasil e Camarões, o mais esperado, está marcado para 23 de junho, enquanto Portugal e Gana jogam no dia 26. Além disso, uma partida das oitavas, em 30 de junho, e outra das quartas de final, em 5 de julho, serão disputados no Mané Garrincha. O último confronto, a decisão do terceiro lugar, ocorrerá em 12 de julho.

Atletas assassinados

O Massacre de Munique, na Alemanha, aconteceu nos Jogos Olímpicos de setembro de 1972. Na ocasião, 11 membros da equipe olímpica de Israel foram feitos reféns por um grupo terrorista palestino. Mal preparadas, as tropas alemãs fizeram uma operação desastrada que culminou no assassinato de todos os atletas israelenses e de cinco terroristas. Depois do massacre, a Alemanha criou a GSG 9, unidade especializada em combater terroristas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação