Perillo chega atrasado à crise

Perillo chega atrasado à crise

Atrás de dinheiro do PAC, governador propõe que a gestão das linhas entre as cidades goianas e do DF seja compartilhada pelas duas unidades da Federação e pela União. Porém, ele não fala em investimentos do estado na região

» Almiro Marcos » Renato Alves
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 17/3/14 )
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 17/3/14 )


O governador goiano Marconi Perillo (PSDB) apresentou ontem um modelo de gerenciamento para o transporte público no Entorno. O projeto sugere um consórcio entre Goiás, o Distrito Federal e a União. Um documento detalhando a proposta foi entregue ao diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, e ao ministro dos Transportes, César Borges. Ambos prometeram dar uma resposta em breve, sem falar em prazo.
No entanto, essa é a terceira vez que Perillo tenta assumir o controle do serviço sob responsabilidade da ANTT. As outras duas também aconteceram em ano eleitoral e não passaram de promessas.

Ontem, o governador tucano não apresentou nenhum plano de investimento na malha viária sob a sua reponsabilidade no Entorno nem em outros serviços e comodidades para os passageiros que moram nos municípios goianos limítrofes do DF.
O encontro entre as autoridades aconteceu à tarde, em Brasília. Em entrevista ao Correio, Perillo afirmou que a única solução para os problemas enfrentados pelos moradores dos municípios goianos localizados ao redor da capital federal é a criação do consórcio. ;As deficiências do transporte no Entorno foram um tema que ganhou contornos explosivos nos últimos dias;, ressaltou ele, referindo-se às manifestações violentas de segunda-feira, quando passageiros insatisfeitos fecharam a BR-040, em Valparaíso e em Santa Maria, quebrando e incendiando ônibus.

Uma reunião hoje à tarde na ANTT vai voltar a discutir o transporte de passageiros no Entorno do DF. Além da presença de representantes da agência, está confirmada a participação do GDF e do Governo de Goiás, além da Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília (Amab). A criação do consórcio será um dos principais assuntos do debate. Mas, para sair do papel, ele tem muitos obstáculos. Para se ter ideia da complexidade do tema, a proposta de lei precisa ser aprovada por câmaras municipais, pela Câmara Legislativa do DF, pela Assembleia Legislativa de Goiás e pela Câmara dos Deputados.

Cofre da União

Além da participação dos governos do DF, de Goiás e da União, a proposta de criação de um consórcio prevê a integração dos municípios do Entorno, principalmente os mais perto da capital brasileira. O governador goiano também propôs que o Ministério da Fazenda libere recursos do Programa de Ajuste Fiscal, aos quais Goiás tem direito, para que a linha do BRT-Sul, que liga Santa Maria e o Gama até o Plano Piloto, seja estendido à Luziânia pela BR-040. ;O projeto executivo pode ser feito por nós até abril, mas precisamos de liberação de recursos federais;, ponderou Perillo. O dinheiro, segundo ele, poderia vir também do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A ideia de Perillo, no entanto, é antiga. O debate vem sendo feito pelo menos desde o último governo de Joaquim Roriz (hoje no PRTB), que se encerrou em 2006, quando o próprio tucano era governador em Goiás. Também foi feita a discussão na administração de José Roberto Arruda (PR), entre 2006 e 2009, ; o governador de Goiás era Alcides Rodrigues, ex-vice de Perillo ;, e chegou à gestão de Agnelo Queiroz (PT), quando, de novo, Perillo administra Goiás.

Projetos já custaram R$ 30 milhões

Ainda houve outras promessas de melhora para o transporte do Entorno. Os projetos anunciados pelos governos federal, goiano e brasiliense vão da construção de um trem-bala entre O DF e Goiânia, passando pela região, à retomada do trem de passageiro entre Brasília e Luziânia. Todos já consumiram cerca de R$ 30 milhões em criações de grupos de trabalho, pesquisas nunca reveladas e viagens ao exterior ; em visitas oficiais a países europeus e asiáticos para autoridades conhecerem modelos de trens ;, mas nenhum passou da fase de promessa política-eleitoral e de pré-projeto.

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