Papo de roda

Papo de roda

postado em 20/03/2014 00:00
Divisor de águas

Concorrentes podem custar menos, porém, são obsoletos, estão há 20 anos no mercado e não recebem sequer quatro estrelas no teste de impacto


O que o prezado leva em conta para comprar um carro zero: tamanho, preço, design, consumo, desempenho, valor de revenda, confiabilidade, segurança? Todos eles, com diferentes pesos? Ou nenhum deles: ;Levo o mais bonito, até porque, o resto, é tudo a mesma coisa;....

Depois de dezenas de anos no setor, já virei figurinha carimbada para dar palpite quando pinta uma dúvida entre dois (ou mais) modelos. E surgem, às vezes, opções absolutamente surrealistas, como um leitor que estava em dúvida entre um SUV (utilitário-esportivo) e um cupê de dois lugares...

Mesmo voto vencido, continuo insistindo nos equipamentos de segurança. Como quase ninguém acredita que se envolverá num acidente, freios ABS e airbags só equipam hoje nossos carros por serem obrigatórios. Mas, se o cliente pudesse optar por rodas de liga leve e bancos em couro, equipamentos de segurança dançariam...

Bom exemplo é o up, lançado agora pela Volkswagen. Um compacto supermoderno e idêntico ao modelo alemão, eleito pela imprensa internacional o melhor carro do mundo em 2012.

Verdadeiro divisor de águas na história da indústria brasileira, o up! já conquistou o título de o mais seguro automóvel brasileiro, com cinco estrelas (de cinco possíveis) nos testes de impacto frontal e quatro (de quatro possíveis) na proteção de crianças. Além disso, é também o carro de menor consumo entre os nacionais, graças, entre outras, ao motor 1.0 de três cilindros. Finalmente, no caso de uma batida, é o que menos provoca estragos no bolso: foi contemplado também com o menor índice de reparabilidade (custos para repará-lo) no Brasil.

A partir do pressuposto de que a integridade física do cliente vale mais que seu saldo bancário e focando só na segurança passiva, é quase inacreditável o comportamento do up! no crash-test: jogado a 64km/h contra uma barreira de concreto, as portas não arredam um milímetro, nem as colunas nas laterais do para-brisa se deformam significativamente. Vale a pena ver o filme do teste no You Tube.

Nenhuma fábrica obtém resultados desse naipe sem investir centenas de milhões de dólares em novos projetos de processos, manufatura, design, componentes mecânicos e de carroceria.

Apesar disso, alguns jornalistas da imprensa dita especializada publicaram matérias elogiosas ao up, criticando entretanto seu preço (;salgado em relação aos concorrentes;). Isso porque o novo VW custa R$ 3 mil mais que outros compactos obsoletos, no mercado há 20 anos e incapazes de receber nem sequer quatro estrelas no crash-test, mesmo equipados com airbags. E, pode anotar: pelo menos a Fiat e a GM lançam brevemente concorrentes do up! provavelmente tão modernos quanto ele. Quero ver se custarão menos...

Mas, quem achou o carro caro deve estar certo. Afinal, como acidente só acontece com os outros, para que investir em segurança?


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