Torcedor joga vaso sanitário de estádio e mata rapaz

Torcedor joga vaso sanitário de estádio e mata rapaz

Torcedor do Sport é atingido por privada depois de jogo entre Santa Cruz e Paraná pela Série B. Crime será investigado como homicídio doloso, e STJD quer punir donos da casa, que dizem ser vítimas das organizadas

postado em 04/05/2014 00:00
 (foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press)
(foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press)

Arrancado do banheiro do estádio para ser usado como arma, o vaso sanitário fez uma vítima. Depois do empate em 1 x 1 entre Santa Cruz e Paraná, pela Série B do Campeonato Brasileiro, o objeto foi arremessado do anel superior do Estádio Arruda, atingindo Paulo Ricardo Gomes da Silva, de 26 anos, na cabeça. Morador da Zona Sul do Recife, o jovem morreu na hora em uma cena que chocou Pernambuco e o Brasil como mais uma morte brutal no futebol. Além dessa vítima, três ficaram feridas. Uma em estado grave. O rastro de sangue, os estilhaços no entorno da vítima e a grande quantidade de polícias representavam a tragédia.


;Eu até agora não estou acreditando. Ele não participava dessas arruaças. Ele ia para o jogo e voltava logo para casa;, lamentou José Paulo Gomes da Silva, pai da vítima. O inquérito foi instaurado como homicídio doloso (quando há a intenção ou o agente assume o risco de causar a morte).


Pouco tempo antes de ser morto com um vaso sanitário atirado na cabeça, o torcedor havia pegado o celular para fazer uma foto. Ao fundo, a bandeira da Fúria ; torcida organizada do Paraná. Paulo era torcedor do Sport ; sem ligação com o jogo, teoricamente ; e tinha uma tatuagem do clube no lado esquerdo do abdômen. Na internet, também circulam fotos dele em festa da uniformizada Jovem, do time rubro-negro. Mas as duas facções (do Sport e do Paraná) são coligadas. Assim, os integrantes dos dois grupos foram ao Arruda para acompanhar a partida válida pela Série B do Campeonato Brasileiro juntos.


Um vídeo divulgado pela Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco mostra o exato momento em que o torcedor foi atingido, desmentindo as informações preliminares de que a vítima estaria envolvida em uma briga. Na hora, os torcedores do Paraná estavam andando escoltados por policiais militares.


O secretário de Defesa Social do estado, Alessandro Carvalho, disse que que a torcida do Santa Cruz foi liberada primeiro e só depois de 20 minutos, os cerca de 50 torcedores do Paraná tiveram sua saída autorizada. Ele ainda alegou que a Secretaria de Defesa Social havia feito a parte dela e que a principal falha foi do Santa Cruz, ao não garantir a integridade de seu patrimônio. ;O BP Choque não tem atribuição de tomar conta de banheiro de estádio;, asseverou. ;O problema não foi na rua. Veio de cima da arquibancada. Não por falha do Estado, foi do Santa Cruz;, apontou.


Ainda não foram identificados suspeitos, mas baseado em postagens publicadas no Facebook, a Polícia Civil de Pernambuco deteve um torcedor para prestar esclarecimentos. ;Não significa que ele foi o autor do ato. Mas ele postou mensagens sobre o crime e é membro de uma torcida organizada. Isso faz parte das investigações;, afirmou a delegada Vilaneide Aguiar.


Acusado
Para o presidente o Santa Cruz, Antônio Luiz Neto, além do torcedor Paulo Ricardo Gomes, o clube coral é vítima da violência. Segundo o cartola, todas as medidas de segurança para que a partida fosse realizada foram tomadas. ;O jogo já tinha terminado. Os portões já haviam sido fechados. O clube não pode ser punido;, afirmou, negando proteger a principal torcida organizada do clube. ;O Santa Cruz não dá ingresso nem paga aluguel de sala;, concluiu, sabendo que o time dificilmente sairá ileso do episódio.


O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, informou que está recolhendo provas e deve oferecer denúncia ao clube amanhã. Além da perda de mando de campo, a interdição do Arruda não está descartada. ;Tudo está sendo avaliado;, disse Schimitt.

CBF interdita estádio

Na tarde de ontem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou um comunicado, assinado pelo diretor de Competições, Virgílio Elisio, no qual interdita o Estádio do Arruda ;até que o processo relativo ao incidente seja apreciado pelo STJD;. O veto é válido até o julgamento e pode ser cancelado, caso o tribunal opte por liberar o estádio.

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