Empréstimo é a salvação

Empréstimo é a salvação

Estudantes reconhecem que, sem o crédito, não teriam como cursar a universidade. A maioria deles acredita que, após se formarem, terão salário suficiente para quitar os débitos

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 04/05/2014 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


A estudante de engenharia elétrica Wanessa Silva,20 anos, sabe muito bem o quanto o exagero na correção das mensalidades está pesando no seu orçamento. No início deste ano, ela passou a pagar 7,4% a mais à universidade, reajuste que elevou o desembolso para R$ 1,6 mil ao mês. ;É muito;, reconhece. Diante desse valor, ela só está conseguindo fazer o curso superior graças ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). ;Foi a salvação;, diz.

A estudante obteve, no ano passado, financiamento de 100% do valor do curso. ;Antes de prestar o vestibular, já contava com o Fies, pois sabia que não teria como bancar uma mensalidade tão cara, que todos os anos sobe muito;, destaca Wanessa. Ela conta que, ainda sem a certeza de que havia passado na seleção, foi atrás da documentação necessária. Um dos maiores problemas para ter acesso ao crédito foi encontrar um fiador. ;É difícil achar alguém que se encaixe nos critérios exigidos;, reclama.

Wanessa sabe o tamanho da dívida que está assumindo, mas tem grande esperança quanto ao mercado de trabalho, já que deseja pagar o financiamento com o próprio salário. ;O que me levou a fazer o Fies foi a certeza de que conseguirei um bom emprego assim que me formar;, acrescenta.

Aluna do primeiro semestre de medicina, Letícia Vieira Valadão, 20, pagaria quase R$ 5 mil mensais caso não tivesse conseguido o financiamento de 75% da mensalidade. ;O curso de medicina é muito caro, ficaria pesado pagá-lo integralmente. Como as condições do Fies são boas, optei por financiar uma parte e me programar para pagar mais na frente;, ressalta.

Após os seis anos de curso, Letícia terá cerca de 20 anos para quitar o financiamento, com parcelas mensais de R$ 1,2 mil. Letícia e sua família já fazem uma poupança para quitar a dívida, mas ela acredita que conseguirá estabilidade financeira após a formatura. ;Sempre há um receio. Afinal, a quantia é elevada. Contudo, tenho confiança no mercado da área de saúde;, frisa.

Regras
A expectativa dos alunos que recorrem ao Fies é alta, já que muitos planejam pagar as dívidas assumidas com os rendimentos da profissão à qual dedicam tantos anos de estudo. É o caso da aluna de jornalismo Poliana Araújo de Mesquita, 19. Com o financiamento integral do curso, cuja mensalidade chega a R$ 540, a jovem não planeja poupar durante no período em que estiver na universidade para zerar os débitos o mais rapidamente possível. ;Como o tempo para efetuar o pagamento é grande, só devo começar a pensar nisso após a formatura, quando conseguir um emprego na área;, afirma.

Pelas regras do Fies, só podem recorrer aos empréstimos estudantes de famílias com renda mensal de até 20 salários mínimos (R$ 14.480). É possível financiar até 100% do valor das mensalidades, a juros de 3,4% ao ano. Os créditos são concedidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. O pagamento pode ser feito por um prazo de até três vezes o tempo de curso, em média, de quatro anos, acrescido de mais 12 meses.

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