Claque de aluguel

Claque de aluguel

postado em 04/05/2014 00:00
A claque contratada para aplaudir deputados que defendiam mudanças na lei dos caminhoneiros contribuiu para agravar a deterioração da imagem do Congresso. Na sessão de terça-feira que aprovou as alterações, grupo que acompanhava a votação manifestava-se nas galerias. A demonstração de entusiasmo dava a impressão de ser composto por interessados diretos no assunto. Mais uma vez, a aparência maquiou a verdade.

Terminados os trabalhos, homens e mulheres formaram fila em frente ao gabinete de Nelson Marquezelli (PTB-SP), no 9; andar do Anexo IV da Câmara. Lá, funcionários os orientaram a subir ao piso seguinte para acertar as contas. Com notas de R$ 20 e R$ 50, pessoas com crachá da Casa efetuaram o pagamento. Marquezelli, muito aplaudido em plenário, afirmou ignorar o fato. Posteriormente, acusou o sindicato dos caminhoneiros de contratar os apoios. Por fim, assumiu a responsabilidade.

Protagonizou mais um episódio que puxa o parlamento para baixo diante da opinião pública. O conceito dos políticos no Brasil é constrangedor e preocupante. Dia após dia, Executivo e Legislativo perdem credibilidade. Vocábulos como senador, deputado, presidente, governador viraram palavrões ; sinônimo de privilégio, falcatrua, corrupção, busca por vantagens pessoais em detrimento do bem comum.

Também são associados a mentira, falsidade, conivência com malfeitos. Quando perguntam ao filho o que quer ser quando crescer, pais aceitam qualquer resposta, exceto ocupante de cargo eletivo. O Congresso, sobretudo, oferece munição para a decadência da ideia que se faz da instituição. Talvez por contar com 594 membros, atos comprometedores de um recaem sobre os demais.

Não há dia em que a pauta de jornais, telejornais, sites e blogues deixe de apresentar fatos negativos que envolvem deputados ou senadores. É o caso de falta a sessões, apresentação de projetos polêmicos, aprovação de leis sem os necessários debates, associação com pessoas em dívida com a Justiça, venda de votos, manipulação de verbas de gabinete.

Por seu lado, projetos de interesse coletivo mofam em gavetas legislatura após legislatura. Entre eles, as tão necessárias reformas: a tributária, capaz de dar alguma racionalidade ao sistema de arrecadação; a política, apta a melhorar a representação popular; a administrativa, para modernizar o paquidérmico Estado; a previdenciária, para equilibrar o sistema; a trabalhista, para adequá-la às exigências do século 21. Deputados e senadores precisam responder às urgências nacionais com medidas eficazes. Não com claques de aluguel.

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