Copa agita fora do Plano

Copa agita fora do Plano

Empresários rurais esperam retorno aos investimentos feitos em infraestrutura e em profissionais para receber os visitantes estrangeiros e de outras unidades da Federação. Quem tem negócios mais distantes do centro está menos otimista

» AILIM CABRAL
postado em 04/05/2014 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 20/8/13)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 20/8/13)



A pouco mais de um mês para a abertura da Copa do Mundo, empresários do Distrito Federal estão finalizando os preparativos para receber os turistas. Os estabelecimentos do Plano Piloto, principalmente nas áreas mais próximas ao Estádio Nacional Mané Garrincha, investem pesadamente em estrutura e programação para os dias de partida, na cidade. No entanto, as demais regiões administrativas do DF também planejam estratégias para aproveitar as oportunidades geradas pelo megaevento esportivo.

Sobradinho investe no potencial do turismo rural para atrair o visitante estrangeiro. As principais apostas são a Rota do Cavalo, formada por restaurantes, ranchos e centros de treinamento equestre; e a Rota do Quadrante, inspirada na Estrada Colonial, caminho que trazia o ouro produzido nas Minas Gerais até o coração do país. A renovação da Feira Modelo, que estava com as obras embargadas há mais de dois anos, é outra iniciativa. ;Fizemos investimentos nas duas rotas, queremos mostrar o que nossa cidade tem de peculiar, além da hospitalidade, e expor o potencial do turismo campestre;, afirma o chefe da assessoria de gabinete da Administração de Sobradinho, Carlos José Nascimento.

O esforço para que a recepção dos estrangeiros seja tão boa quanto a dos nacionais é a preocupação da gerente do Rancho Canabrava, em Sobradinho, Denise de Pinho Rodrigues Rick, 54 anos. Ela conta que fez uma reforma externa, para revitalizar o local e acrescentar sinalização em inglês, e investiu em capacitação dos funcionários do estabelecimento. Para isso, eles fizeram cursos de inglês e espanhol para se comunicarem de forma satisfatória com os clientes. Outro ponto levado em conta pela empresária foi a divulgação propriamente dita dos serviços do rancho, por meio da criação de um site e da atualização do mailing de clientes. ;As novidades do local são divulgadas por esses dois canais;, conta Denise. A expectativa é a melhor possível. ;Estamos muito otimistas com a chegada de novos clientes. Achamos que os fins de semana vão ficar mais cheios e agitados. Estamos preparados;, acrescenta.

Campeonato

Planaltina, por sua vez, decidiu se voltar para o futebol a fim de atrair os visitantes de outros países. Para isso, um campeonato com as categorias de base, incluindo pré-mirim, mirim, infantil e juvenil será realizado durante o período da competição oficial. Cada equipe participante representará uma das seleções classificadas para a Copa do Mundo. O gerente de Esportes e Lazer de Planaltina, Sandro Melo Monteiro, conta que a ideia surgiu de uma demanda da cidade, que é muito carente e precisa ter projetos voltados para os jovens, e da vontade de promover eventos relacionados ao Mundial. ;É uma atividade que se torna acessível para todos. Suprimos uma necessidade de Planaltina e aproveitamos para nos inserir na Copa;, acrescenta. Além do campeonato, o museu local exibirá uma mostra sobre futebol, com destaque para os jogadores de Planaltina que alcançaram fama no esporte, como o zagueiro da seleção brasileira, Lúcio. A administração da cidade acrescenta que pontos históricos também serão revitalizados.

Na Feira do Guará, os preparativos para a Copa incluem revitalização da infraestrutura, como criação de rampas e demais elementos de acessibilidade, e em marketing, para divulgação do centro comercial. Para isso, devem ser gastos, até junho, pelo menos R$ 200 mil. Com pouco mais de 40 dias de antecedência para a Copa, a empolgação ainda deixa a desejar, na avaliação do presidente da Associação dos Feirantes da Feira do Guará, Cristiano Jales. ;A expectativa para o aumento das vendas ainda não é muito grande, até por causa do momento econômico que vivemos, com a economia um tanto estagnada;, avalia. ;Estamos torcendo para receber turistas estrangeiros e montamos até mesmo um Centro de Atendimento ao Turista (CAT), com professores de inglês e espanhol, para atenderem a quem vier de fora;, conta Jales.

Já em Águas Claras, no Sudoeste, em Ceilândia e em Samambaia, o foco são os moradores da cidade. O empresariado dessas cidades tem investido em reforma e decoração dos estabelecimentos para receber os clientes que vão aos bares e restaurantes para acompanhar os jogos, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel-DF), Jaime Recena. ;Quem tem empreendimento está se mobilizando para atender aos clientes, que, em sua maioria, é quem mora nesses locais;, afirma. Segundo Recena, são dispendidos valores consideráveis. ;Em média, um estabelecimento gasta entre R$ 15 mil e R$ 20 mil com decoração e divulgação da programação;, estima.

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