Um mundo de solidariedade

Um mundo de solidariedade

Milhares de atletas em 34 cidades de todos os continentes participam hoje da Wings for Life Run, prova para arrecadar fundos destinados a pesquisas sobre lesões na medula. No Brasil, disputa será em Florianópolis

RODRIGO ANTONELLI
postado em 04/05/2014 00:00
 (foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool - 28/1/14)
(foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool - 28/1/14)

Mais de 250 mil pessoas por ano sofrem com lesões na medula, principalmente devido a acidentes de carro, e têm a vida totalmente mudada. Muitas delas precisam se adaptar à cadeira de rodas. Com esses dados em mente, milhares de atletas, inclusive amadores, de 136 nacionalidades participam hoje da Wings for Life Run, corrida que tem como objetivo arrecadar fundos para a pesquisa sobre lesões na medula.


A primeira edição da prova ocorre simultaneamente em 34 cidades pelo mundo e conta com uma etapa no Brasil, em Florianópolis. Toda a renda vai para um fundo que financia pesquisas sobre lesões da medula espinhal em algumas das universidades mais conceituadas do planeta, como Harvard (EUA) e Cambridge (Inglaterra). O formato da competição é inovador: a corrida só acaba quando o último atleta de cada sexo for ultrapassado pelo carro da organização.


O catcher car (carro perseguidor, em tradução livre) larga 30 minutos após os corredores, a uma velocidade de 15 km/h, e vai aumentando o ritmo (veja quadro). ;É um incentivo a mais para as pessoas superarem seus limites. Elas não vão querer ser ultrapassadas pelo carro;, acredita o ex-atleta britânico Colin Jackson, um dos idealizadores da corrida, em entrevista ao site da prova.


Os carros terão um sistema integrado com todas as cidades, que identificará o vencedor. Cada sede contará com seu próprio campeão, mas os dois melhores do planeta vão receber premiação única: uma viagem de volta ao mundo, praticando esportes pelos cinco continentes e conhecendo as pesquisas financiadas pelo grupo organizador do evento beneficente.

Projeto antigo
Apesar de essa ser a primeira corrida do Wings for Life, o projeto existe desde 2004, quando o bicampeão mundial de motocross Heinz Kinigadner decidiu abrir um fundo para financiar pesquisas sobre lesões medulares. Em 2003, o filho dele, Hannes, tinha sofrido um acidente que o deixou paraplégico. ;A questão não é se vão encontrar métodos para curar a lesão de medula, e sim quando. Nosso objetivo é acelerar esse processo e devolver os movimentos para milhares de pessoas;, diz Kinigadner, também ao site da prova.


O esforço para arrecadar fundos direcionados à causa conta com o apoio de atletas consagrados. Muitos deles participarão da prova, como o japonês Takahiro Sunada, ultramaratonista recordista mundial de 100km, que competirá na Áustria. No Brasil, o embaixador da corrida é o ex-BBB e atleta paralímpico Fernando Fernandes. Ele acredita na corrida como impulso para que políticos incentivem as pesquisas com células-tronco.

Dados alarmantes
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 50% das lesões de medula ocorrem devido a acidentes no trânsito, 25% por conta de quedas, 9% durante práticas esportivas e 16% por outros motivos.

Perseguição calculada

O carro perseguidor, responsável por definir a hora que a prova acaba para cada competidor, vai aumentando a velocidade de acordo com o tempo. Em Florianópolis, a programação é a seguinte:
7h ; competidores largam
7h30 ; o carro entra no percurso a uma velocidade de 15km/h
8h30 ; a velocidade sobe para 16km/h
9h30 ; a velocidade sobe 17km/h
10h30 ; a velocidade sobe para 20km/h
12h30; a velocidade sobe para 35km/h

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