Adoção animal

Adoção animal

Cães e gatos órfãos costumam receber carinho e alimento de mães %u201Cpostiças%u201D. Não é raro que a relação ocorra entre raças diferentes

postado em 04/05/2014 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)


As ;famílias afetivas; são muito comuns em abrigos de animais.As fêmeas acabam amamentando ninhadas que não são delas

Filhotes de cães e gatos precisam de leite materno para sobreviver, mas nem sempre o encontram à disposição. Isso pode acontecer por vários motivos. Algumas cadelas e gatas abandonam a ninhada após o parto; a mãe pode estar doente e, por isso, impedida de amamentar; ou ainda o número de filhotes pode ser grande demais e a mãe não conseguir atender à ninhada inteira. Em todos esses casos, é possível que os filhotes encontrem mães de leite. Muitas dessas gatas e cadelas vão além da amamentação e adotam filhotes alheios como se fossem os delas. Elas cuidam, protegem e até sentem ciúme.
Segundo o comportamentalista animal Renato Buani, não há nada de incomum nisso. ;Cães vivem em matilha e tratam a criação dos filhotes de maneira conjunta. Quando a mãe está debilitada, o lógico é que outras fêmeas assumam esses filhotes. É um instinto de sobrevivência e de preservação da espécie encontrado também nos cães domésticos;, explica.

Orcilene Arruda de Carvalho é responsável pelo abrigo de animais Flora e Fauna e conta com essa adoção espontânea entre os bichos para garantir a sobrevivência dos filhotes recém-chegados. ;Na hora de receber os animais, favorecemos fêmeas prenhas e filhotes, porque são os mais vulneráveis. Por isso, a adoção acaba acontecendo naturalmente. Sempre tem uma mãezinha de leite para amamentar os bebês e as chances de sobrevivência deles aumentam muito;, conta.
A cadela Brisa chegou ao abrigo com três filhotes. Enquanto a ninhada já encontrou donos, ela continua no abrigo com os dois filhotes de leite que amamentou. Tornou-se ;mãe postiça; deles, brinca Orcilene. Já a gata Brisa dá conta de amamentar toda a ninhada que teve e ainda ficou responsável por alimentar um filhote adotivo. Lá, também está a cadela Jaqueline, que compartilhou o leite dos filhotes que teve com mais um cão. Já a vira-lata Thamy perdeu toda a ninhada, mas amamentou outros filhotes abandonados que chegaram ao local. ;Apesar da perda dos filhotes, o instinto maternal ficou e ela amamenta quem chega;, conta a protetora.

A gata Jennifer, resgatada pela advogada Luciana Pereira, 44 anos, demonstrou ser uma mãezona. Além de cuidar da própria cria, ela adotou outros gatinhos resgatados pela dona e os filhotes rejeitados por uma outra gata. ;Na época que adotamos a Jennifer, resgatamos outras duas gatas prenhas e ela acabou sendo a mãe de leite de todos os 12 filhotes. Eles já estão com cinco meses, mas ainda dá leite para todos e quer dar banho nos gatinhos. É uma relação bem maternal.;
O contato dos filhotes com as fêmeas provoca o aumento do hormônio responsável pela produção do leite, permitindo que as mães ;postiças; amamentem normalmente. De acordo com a médica veterinária Iliria Malaquias, o leite das cadelas é ;universal; ; não varia de acordo com a raça ; e de extrema importância nos primeiros meses de vida do animal. ;Se não mamar, o filhote pode ter prejuízo no desenvolvimento, não receber anticorpos importantes para a imunidade e, no caso de entrar em contato com algum microrganismo, pode até ir a óbito;, afirma.

A adoção entre animais pode até ultrapassar as barreiras da espécie. Mesmo idosa, a cadela Cherry passou a dar leite com a chegada da gata Mimi na casa da pensionista Nelma Castilho, 48 anos. ;Ela cuida da gata como se fosse filhote dela, lambe ela todinha e, depois, dá de mamar.; De acordo com ela, o afeto entre a cadela e gata é grande e pegou todos de surpresa. ;A Cherry antes tinha ciúmes de qualquer bicho que eu trazia para casa. Era muito ciumenta, mas acho que teve uma identificação entre as duas. Elas se dão muito bem.;
É a primeira vez que Nelma vê a cadela que adotou há cinco anos amamentando. Cherry ficou doente quando teve a própria ninhada e não pôde cuidar dos filhotes que gerou. Segundo a veterinária Iliria Malaquias, o ideal é que os filhotes sejam amamentados por animais da mesma espécie, mas a amamentação de gatos por cães não chega a ser prejudicial e ajuda no desenvolvimento do filhote. Já o comportamentalista animal Renato Buani acredita que não deve ser motivo de espanto se a gata Mimi ficar com um comportamento canino. ;As cadelas que adotam gatos tendem a tratar o animal como se fosse da mesma espécie. O cão então vai tentar trazer aquele animal para o perfil dele, ensiná-lo a ter os mesmos hábitos;, esclarece.


Só benefícios

A morte das mães biológicas de cães e gatos, o abandono dos filhotes ou a ocorrência de doenças nas mães podem impedir que os filhotes recém-nascidos tenham contato com o leite materno, mas é importante que eles consigam uma mãe de leite para conseguir sobreviver.

; O leite é um alimento completo para o filhote e não agride o sistema digestivo, que ainda está frágil.
; Até a quarta semana de vida, o leite é o único alimento que o filhote precisa.
; Caso a amamentação seja impossível, o filhote precisa ser alimentado com uma mistura caseira especialmente preparada para a raça em questão.

Agradecimentos:
Colônia Agrícola de Samambaia
Abrigo Fauna e Flora (Gama)


Ligeirinhas


;Esta é Kika, de 14 anos. É um amor de animal. Entende tudo, parece um ser humano.; (Enviado por José Frederico
da Cunha Souza)

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