Doze jornalistas foram mortos desde 2011

Doze jornalistas foram mortos desde 2011

JULIA CHAIB
postado em 07/05/2014 00:00
Ao menos 12 jornalistas foram assassinados no Brasil desde 2011 em ;represália direta pelo desempenho profissional;. O dado consta em relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado ontem. O documento aponta ainda que outras cinco mortes aconteceram em ;circunstâncias obscuras; e estão sob investigação. O caso do cinegrafista Santiago Andrade, morto ao ser atingido por um rojão durante um protesto no Rio de Janeiro em fevereiro deste ano, está entre os contabilizados pelo comitê.

Diante dos dados, o coordenador do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría, ressalta que é necessário que o governo brasileiro monte e coloque em prática medidas de segurança para os profissionais da imprensa. Uma das recomendações é a de incluir os jornalistas sob ameaça no Programa de Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos. O grupo que elaborou o relatório também pediu ao Congresso Nacional a determinação de um maior envolvimento da polícia federal em crimes contra a liberdade de expressão.

Para Lauría, 2014 será um teste para o governo, por ser ano de Copa do Mundo e de eleições, que favorecem o campo para protestos. ;Durante as manifestações (de 2013), dezenas de jornalistas foram detidos, perseguidos e atacados por policiais e manifestantes irritados com o tratamento dispensado por alguns veículos de mídia aos protestos;, diz texto do relatório assinado por Lauría.

Antes da divulgação do relatório na 6; Edição do Fórum pela Liberdade da Imprensa, que ocorreu ontem no Museu Nacional, Lauría entregou o documento à presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a presidente se comprometeu em apoiar as investigações de crimes contra jornalistas. ;Que se processem, na Justiça, os responsáveis, tanto materiais como intelectuais, pelos assassinatos de jornalistas e contra a liberdade de expressão;, disse Lauría.

Embora continue em 11; lugar no ranking do CPJ de países onde há maior chance de que os crimes contra a imprensa não sejam solucionados, Lauría avalia que a impunidade está crescendo no Brasil. ;Dos assassinatos de jornalistas pelo mundo, 85% ficam impunes. O Brasil tem níveis altos de assassinatos de jornalistas e isso tem produzido avanços significativos contra a impunidade;, disse. As mortes em represália direta são consideradas pelo CPJ aquelas em que o profissional é morto enquanto executa uma tarefa perigosa, como cobertura de protestos, fogo cruzado ou vingança. Em relação à morte do cinegrafista Santiago Andrade, último caso registrado no Brasil, os dois jovens que manusearam o rojão que o atingiu estão presos desde fevereiro. A filha da vítima, Vanessa Andrade, participou do fórum.

Ainda ontem, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou que houve 167 violações contra a liberdade de imprensa de maio do ano passado até março deste ano. A associação também compilou casos de agressões em manifestações desde junho de 2013 e montou um manual de instruções para jornalistas fazerem a cobertura de protestos.

Autorregulação
A 6; Edição do Fórum para a Liberdade de Imprensa, organizada pelo Portal Imprensa, foi aberta ontem com a participação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, que ressaltou a importância da liberdade para a imprensa, sobretudo em um ano eleitoral, mas ponderou que é necessário pensar o exercício da categoria. ;Tem que ser estudada a democracia interna dos veículos;, citou Britto. Segundo o ministro, seria necessário que a própria imprensa definisse melhor suas regras de atuação, como forma de se autoregular.

Ainda no fórum, um painel tratou de ações judiciais que censuram a divulgação de denúncias, como ocorre em diversos veículos de comunicação. Participaram da mesa a colunista do Correio Denise Rothenburg, a colunista da Folha de S.Paulo Eliane Catanhêde, a repórter da TV Globo Cristina Serra, o correspondente da Rádio Bandeirantes e BandNews FM em Paris Milton Blay e o jornalista Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado. O grupo ressaltou a importância do diálogo correto entre imprensa, governo e sociedade e mostrou preocupação quanto à reação de manifestantes contra jornalistas em protestos.

;Durante as manifestações (de 2013), dezenas de jornalistas foram detidos, perseguidos e atacados por policiais e manifestantes irritados com o tratamento dispensado por alguns veículos de mídia aos protestos;
Trecho do relatório do CPJ

;Dos assassinatos de jornalistas pelo mundo, 85% ficam impunes;

Carlos Lauría, oordenador do Programa das Américas do CPJ

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