Caseiro nega participação

Caseiro nega participação

Em conversa com a Comissão da Verdade do Rio e com senadores, o suspeito de ser cúmplice no assassinato do coronel torturador diz não ter confessado nada à polícia

postado em 07/05/2014 00:00
 (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, e três senadores da Comissão de Direitos Humanos (CDH) afirmaram ontem que o caseiro do coronel reformado Paulo Malhães negou ter confessado à polícia a participação no assassinato do patrão. Único suspeito preso pela morte do militar em abril, Rogério Pires foi interrogado pelos parlamentares Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Ana Rita (PT-ES) e João Capiberibe (PSB-AP) na Delegacia Anti-Sequestro (DAS), no Leblon, no Rio de Janeiro.

A visita da comissão gerou novas controvérsias sobre o caso. ;Ele não confessou participação no crime. Ele é analfabeto, não sabe ler nem escrever. E me causa muita estranheza que nenhum defensor público tenha acompanhado até agora os depoimentos e as investigações sobre o caso;, afirmou a senadora Ana Rita, presidente da CDH. De acordo com o grupo de parlamentares, um pedido oficial para o Defensor Geral do Rio de Janeiro será feito para que um advogado de defesa preste auxílio ao indiciado. Além disso, os senadores pedirão uma cópia do inquérito para ter acesso aos depoimentos do caseiro.

Rogério teria dito ao presidente da Comissão Estadual da Verdade, que, em nenhum momento, admitiu ter facilitado a entrada de criminosos no sítio. ;Ele foi perguntado expressamente por nós se, em algum momento, ele admitiu ter participado do assalto, mas ele negou. Ele disse: ;a imprensa perguntava e eu ficava calado;;, disse Damous. Rogério foi ouvido ontem a portas fechadas, sem a presença de policiais.

O suspeito confirmou que reconheceu os irmãos durante a ação, mas que permaneceu amarrado. Um deles, teria sido identificado por causa de uma tatuagem. Além disso, Rogério contou que os participantes do assalto se comunicavam com outra pessoa pelo telefone fixo do sítio, o que indicaria a participação de mais criminosos. ;Ele disse que os irmãos que invadiram a casa falavam por telefone com pessoas de fora e diziam que estavam aguardando alguém chegar. As ligações podem ser interceptadas, mas a polícia já deve ter essa informação;, contou o senador João Capiberibe.

Execução

Para o senador Randolfe Rodrigues, Rogério disse que ;temia pela vida;. Diante da informação e da importância dos depoimentos que Paulo Malhães prestou à Comissão Nacional da Verdade antes de morrer, confirmando a participação em torturas e mortes de presos políticos durante a ditadura militar, os senadores não descartam a possibilidade de que o ex-coronel tenha sido executado. ;Essa é uma hipótese que nós, nessa diligência, estamos trabalhando.;

Segundo a polícia, Pires, confessou, em 29 de abril, ter participado do crime que terminou na morte do coronel. Ele denunciou dois irmãos como os homens que invadiram, em 25 de abril, o sítio do militar. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), mas ainda não foi descartada a possibilidade de queima de arquivo. Malhães morreu enquanto o grupo estava em sua casa. O laudo da perícia do coronel deve ficar pronto somente no ano que vem.

;Ele não confessou participação no crime. Ele é analfabeto, não sabe ler nem escrever;
Ana Rita (PT-ES), senadora, presidente da CDH

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