Ganhadores do Nobel pregam o fim da "guerra"

Ganhadores do Nobel pregam o fim da "guerra"

postado em 07/05/2014 00:00

No dia em que o Uruguai começou a implementar as regras para a produção, venda e consumo de maconha no país, a London School of Economics (LSE) publicou ontem um relatório que prega uma mudança radical de enfrentamento às drogas. O fim de estratégias de confronto é defendido por um grupo de excelência, entre eles, cinco vencedores do prêmio Nobel de Economia, um ex-secretário de Estado americano e dois ministros latino-americanos. Intitulado Ending the Drug Wars (Acabar com as guerras da droga, em tradução livre), o documento assinala, no prefácio, que é o momento de destinar recursos para ;políticas efetivas baseadas em evidências e apoiadas em análises econômicas rigorosas;.

A lista de signatários do prólogo inclui George Shultz (chefe da diplomacia americana entre 1982 e 1989, no governo de Ronald Reagan), o espanhol Javier Solana (chefe da diplomacia europeia de 1999 a 2009) e cinco vencedores do Nobel de Economia: Kenneth Arrow (1972), Christopher Pissarides (2010), Thomas Schelling (2005) Vernon Smith (2002) e Oliver Williamson (2009). Também assinam o texto o vice-primeiro-ministro britânico Nick Clegg; o presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski; o chanceler guatemalteco, Luis Fernando Carrera Castro, e o ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria.

;A insistência na estratégia militarizada e policial de ;guerra contra as drogas; mundial deu resultados muito negativos e provocou danos colaterais;, assinala o grupo. Eles citam como efeitos desfavoráveis ;detenções em massa nos Estados Unidos, políticas altamente repressivas na Ásia, uma enorme corrupção e desestabilização política no Afeganistão e oeste da África, uma imensa violência na América Latina (...) e a propagação de abusos sistemáticos aos direitos humanos em todo o mundo;.

Mudanças
O prefácio, praticamente um manifesto, enfatiza que não há mais justificativa para ;prosseguir gastando enormes recursos em políticas policiais punitivas, geralmente ao custo de políticas de saúde solventes;. Na América Latina, cada vez mais, nos últimos anos, as vozes que pedem uma mudança na estratégia de enfrentamento à questão das drogas aumentam consideravelmente, como a do presidente guatemalteco Otto Pérez ou dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México).

Surgiu nesse contexto a iniciativa do Uruguai de ;estatizar; a maconha, controlando a produção e o comércio. A medida, apresentada ao parlamento pelo presidente José Mujica, é considerada a tentativa governamental mais importante até o momento de deixar sem mercado as organizações criminosas.

O relatório da London School of Economics cita o projeto uruguaio e outros em curso em estados dos Estados Unidos, mas adverte que não será fácil encontrar a fórmula definitiva.

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