Kiev pede apoio a eleições gerais

Kiev pede apoio a eleições gerais

Reunido com dirigentes europeus, chanceler propõe negociações à Rússia, que apoia os separatistas. Kremlin rejeita votação realizada em meio a ofensiva militar

postado em 07/05/2014 00:00
 (foto: Alexander Khudoteply/AFP)
(foto: Alexander Khudoteply/AFP)



Reunidos em Viena, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, e o da Ucrânia, Andriy Deshchytsia, discutiram, sem sucesso, possíveis ações para evitar a guerra civil entre o governo de Kiev e os separatistas pró-Moscou. Representantes dos países-membros da União Europeia também participaram do encontro. O ministro ucraniano aproveitou para pedir formalmente o apoio internacional para garantir a realização de eleições gerais, marcadas para o próximo dia 25. Líderes ocidentais defendem a importância do pleito para a estabilização do país e ameaçam com novas sanções caso o Kremlin, que não reconhece o governo interino da Ucrânia, tente obstruir o processo.

Lavrov destacou que organizar eleições seria ;incomum; no atual contexto, em que o controle institucional de cidades no leste está na mão de separatistas e o Exército está nas ruas. Regiões separatistas foram palco de novos confrontos, ontem. Na véspera, os combates mataram quatro soldados e 30 rebeldes, segundo Kiev.

;Se a Rússia estiver pronta para se comprometer em apoiar essas eleições, eliminar as ameaças e retirar o apoio a elementos extremistas na Ucrânia, estamos prontos para uma rodada de reuniões;, disse Deshchytsia aos chanceleres europeus. Lavrov sustentou que uma conferência sobre a crise só teria legitimidade com a participação dos grupos pró-Rússia. A ideia, porém, é rechaçada pelo governo interino, que alega representar todo o país. O chanceler ucraniano chegou a afirmar que, se fosse assim, ;deveríamos pedir aos russos que enviem representantes da Chechênia e do Daguestão, e à UE que esteja representada pelos diferentes países-membros;.

O presidente da Suíça e atual chefe da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Didier Burkhalter, reúne-se hoje com o presidente Vladimir Putin, em Moscou, para discutir a crise. No fim de semana, sete observadores da organização foram libertados depois de uma semana em poder de insurgentes no leste da Ucrânia. Em Washington, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e a Alta Representante da UE para Política Externa, Catherine Ashton, reforçaram a pressão sobre Moscou e condenaram a realização de um referendo na cidade de Lugansk, marcado para 11 de maio. ;Essa é, novamente, a cartilha da Crimeia;, disse Kerry, lembrando a votação que aprovou a anexação da península à Rússia. ;Nenhuma nação civilizada vai reconhecer os resultados de uma ação tão falsa.;

Confrontos
O espaço aéreo na cidade de Donetsk, capital da região de mesmo nome, onde se concentra a maior parte dos confrontos, foi fechado ontem. ;As chegadas e saídas de aeronaves foram suspensas por decisão do Serviço de Aviação Estatal da Ucrânia;, dizia um comunicado do Aeroporto Internacional Sergei Prokofiev. Seis bancos nas cidades de Slaviansk, Kramatorsk e Konstantinovka, todas na mesma região, encerraram as operações por questões de segurança, de acordo com agências de notícias.

Partidários de Kiev e Moscou voltaram a se enfrentar ontem, dia em que muitos familiares e amigos enterraram as vítimas da ofensiva militar de anteontem. O ministro do Interior, Arsen Avakov, confirmou que mais de 30 militantes foram mortos. ;Havia muitos da Crimeia e da Rússia, inclusive chechenos;, disse, sugerindo que a Rússia estaria orquestrando a rebelião.


Lei contra a ;boca suja;

Com as atenções mundiais voltadas para a Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, aprovou nesta semana uma série de leis controversas. Uma delas proíbe o uso de ;palavrões e obscenidades; em espaços públicos, como teatros e cinemas, assim como em livros e meios de comunicação. Os infratores estão sujeitos a multa com valor entre R$ 150 e R$ 3mil. Outros textos, considerados mais preocupantes, permitem que Putin aumente o controle sobre os opositores. Blogs e páginas na internet passam a ser alvo de uma moderação mais incisiva, e as penas para pessoas envolvidas em protestos ou ;atos terroristas; ficam mais duras, podendo chegar à prisão perpétua.

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