Confissões de uma ex-estagiária

Confissões de uma ex-estagiária

postado em 07/05/2014 00:00
 (foto: APTV/AP - 6/11/96)
(foto: APTV/AP - 6/11/96)



Pivô de um dos maiores escândalos da história da Casa Branca, Monica Lewinsky rompeu uma década de silêncio e afirmou que teve um ;relação consensual; com o ex-presidente americano Bill Clinton em um artigo para a revista Vanity Fair. Aos 40 anos, ela disse estar convencida de que é o momento de dar sua versão sobre os fatos que lhe causaram ;humilhação mundial;. Lewinsky estagiou dois anos na Casa Branca quando Clinton governava o país.

;Chegou a hora de queimar a boina e enterrar o vestido azul;, escreveu Lewinsky, em referência ao acessório que usava ao ser fotografada ao lado do ex-presidente e à famosa vestimenta com rastros de sêmen que serviu como prova do caso no final dos anos 1990. ;Sinto profundamente pelo que aconteceu entre o presidente Clinton e eu;, acrescentou, dizendo-se ;profundamente; arrependida do affair.

No texto, Monica assinalou estar determinada a ;ter um final diferente; para sua história e a ;dar um sentido; a seu passado. Ela reconheceu que o longo silêncio sobre o assunto deu margem para muitas especulações, inclusive de que estaria sendo paga pelo ex-presidente. ;Nada poderia estar mais longe da verdade;, enfatizou.

Bode expiatório

O caso extraconjugal de Clinton, que quase o levou ao impeachment, veio a público em 1998. O ex-presidente foi perdoado pela mulher, Hillary, e conseguiu superar o episódio. Monica Lewinsky, porém, tornou-se uma pária na sociedade americana. ;Claro, meu chefe se aproveitou de mim, mas sempre me mantive firme nesse ponto: foi uma relação consensual. Qualquer ;abuso; ocorreu no período posterior, quando me transformaram em bode expiatório para proteger a posição de poder dele;, frisou.

Após o escândalo, a ex-estagiária disse ter recusado ofertas em empregos em que ganharia mais de US$ 10 milhões, porque não lhe parecia correto. Afirmou ter tentado conseguir trabalho nas áreas de comunicação e marketing, mas não conseguiu em decorrência da história.

Nos momentos mais difíceis, Lewinsky disse ter pensado até mesmo em suicídio, mas que seu sofrimento ;ganhou outro significado; em 2010, quando o estudante gay Tyler Clementi se matou depois da publicação de um vídeo em que parecia beijando outro homem. A partir dali, resolveu trabalhar com vítimas de bullying pela internet. Sobre o artigo à Vanity Fair, justificou: ;Talvez compartilhando minha história... Possa ser capaz de ajudar outros em seus momentos mais obscuros de humilhação;.

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