Finanças para os pequenos

Finanças para os pequenos

Pedagoga ajuda a desenvolver método capaz de ensinar, de forma didática, crianças e adolescentes a investirem com responsabilidade. O projeto beneficia alunos da rede privada e deve alcançar, em breve, escolas públicas da capital

» ISA STACCIARINI
postado em 07/05/2014 00:00
 (foto: Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press)





Fluxo de dinheiro, gastos mensais e despesas financeiras não são mais assuntos exclusivos para investidores e adultos. A economia e a educação financeira fazem parte de um universo cada vez mais juvenil. São crianças e adolescentes que aprendem, dentro da sala de aula e inclusive fora do ambiente escolar, sobre como utilizar o dinheiro com responsabilidade. O projeto de Educação Financeira na Escola foi desenvolvido para alunos do 1; ao 9; ano do ensino fundamental em 2013. Em um ano, aproximadamente 30 mil estudantes da rede particular de ensino, entre 6 e 14 anos, passaram a ter mais consciência na hora de economizar.

E em plena Semana Nacional da Educação Financeira, que começou na segunda-feira em todo o país (leia Para saber mais), o Distrito Federal também virou palco dos cifrões e das finanças para os mais jovens. Mas, diferentemente do que vai ocorrer em solo nacional até sexta-feira 9 de maio, a capital tem como espectadores o público infanto-juvenil. Para aprender a prática, os alunos do ensino fundamental treinam as experiências de economia e de gastos em um método chamado de engenhoca.

No projeto, as receitas mensais são representadas por um grande reservatório de água, e o fluxo do dinheiro é ilustrado por torneiras. Em cada uma delas, estão as despesas fixas. É o caso dos gastos com educação, alimentação, lazer, moradia e investimentos. A ideia da conscientização do uso do dinheiro começa quando é necessário regular o jato da torneira. A partir do momento em que se consegue controlar o fluxo do que jorra pelas bicas acaba sendo possível acumular valores para investir em outras prioridades, como segurança, viagens e compras.

Uma das autoras do Educação Financeira na Escola, Silvana Iunes explica que o intuito é gastar de forma controlada. O método pode, inclusive, alcançar a rede pública de ensino. ;Três escolas do GDF procuraram conhecer a respeito do programa. A proposta não é impedir o uso do dinheiro, mas implantar a consciência de como investir com responsabilidade. Quando começa a ter controle, entende-se todo o processo;, destaca a pedagoga. ;O objetivo é mostrar para o público infantojuvenil que pode chegar um dia em que não haverá necessidade de se trabalhar para gerar dinheiro. Isso porque haverá uma quantia que foi poupada;, esclarece.

Maturidade

Desde cedo, Gisele Martins, 11 anos, sabe a importância de economizar. A aluna do 6; ano recebe R$ 20 por semana dos pais, mas, em vez de gastar o dinheiro com guloseimas, a futura investidora poupa a mesada. Com isso, a menina comprou um tênis de R$ 200 e, no fim de 2013, iniciou uma nova economia para trocar de celular. ;Antes, eu gastava todo o dinheiro que ganhava para comprar balas, chicletes e doces. Hoje, eu prefiro deixar guardada a mesada por mais tempo para só depois comprar aquilo que realmente eu quero muito. Saber mexer com dinheiro é muito importante;, ressalta.

O colega Davi Freitas, 11 anos, também comprou um videogame de quase R$ 300 com o que recebe da família em datas comemorativas. No Natal, no Dia das Crianças, no aniversário e no fim do ano, o estudante ganha cerca de R$ 100 dos pais e dos avôs. Para ele, dinheiro é sinônimo de futuro. ;Estou poupando de novo para comprar um videogame melhor. A juventude está lidando desde cedo com a economia, e é bom aprender como usar o dinheiro hoje para, no futuro, a gente estar craque;, destaca.

Inclusive os mais novos adotam a filosofia de ser consciente. É o caso de Micael de Moura, 8 anos. Aluno do 4; ano, ele guarda todos os dias em um cofrinho o dinheiro do lanche que faria na escola. Para não passar fome, o garoto leva de casa. Dessa forma, economizou mais de R$ 300. ;É bom porque mais para a frente eu vou ter experiência para usar tudo o que guardei com responsabilidade;, aponta.

A engenhoca está exposta desde ontem no terceiro piso do Taguatinga Shopping. Alunos de 13 escolas passarão pelo local para aprender sobre o fluxo do dinheiro. Ao todo, serão mais de 250 estudantes que devem visitar o método. A exposição instalada próximo à praça de alimentação do centro comercial fica aberta ao público até as 18h de hoje.
A diretora do Colégio Alub, no Pistão Norte, Ana Carolina Santos, levou uma turma do ensino fundamental para a atividade externa. Para a professora, a consciência a respeito do consumismo começa dentro de casa e é aprimorada na escola. ;A economia é tema inclusive de cidadania e ética. A educação financeira faz parte da realidade da maioria das crianças e dos adolescentes e, por isso, é tão importante implantar isso no ambiente educacional;, considera.









Para saber mais

Fluxo e mercado

O Brasil recebe a 1; Semana Nacional da Educação Financeira. As atividades começaram na segunda-feira e duram até sexta-feira. O evento ocorre em várias cidades do país e é organizado pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef). Um dos objetivos do encontro é aumentar a consciência do investidor brasileiro e mostrar a responsabilidade em controlar o fluxo do dinheiro. Além disso, o evento serve para mostrar os reflexos da receita no desenvolvimento do mercado de capitais. O site do evento (www.semanaenef.gov.br/) oferece a programação detalhada em todo o país.

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