Acordo falha e emperra votação

Acordo falha e emperra votação

Amanda Martimon
postado em 07/05/2014 00:00



A retirada de cinco pontos do relatório de renegociação da dívida dos clubes brasileiros, que tramita na comissão especial da Câmara sobre o tema, parecia selar o acordo final para levar o projeto à votação, na tarde de ontem. O item mais polêmico ; a fiscalização das contas da Confederação Brasileira de Futebol e a cobrança de 10% da arrecadação da entidade ; foi subtraído do texto após negociações e, ainda assim, não houve consenso para debater a proposta até o fim. O governo federal articulou o adiamento da votação. Uma nova reunião está agendada para hoje, às 14h.
Entre os questionamentos dos deputados contrários à proposta destacaram-se críticas à criação de uma nova loteria para ajudar os clubes e à aplicação de uma taxa de juros menor para corrigir o valor das dívidas. Provocando divergência e gastando tempo, deliberadamente, para impedir a votação, o deputado Silvio Costa (PSC/PE), que não faz parte da comissão, acusou os colegas parlamentares de apoiarem um projeto que dará prejuízo ao país. ;Está muito claro que essa é uma luta entre os representantes dos clubes de futebol e os representantes do povo;, alegou.
O projeto conta com o apoio do Ministério do Esporte, representado nas negociações pelo secretário de futebol da pasta, Toninho Nascimento. A intenção era aprovar a medida ainda antes da Copa do Mundo, mas, na tarde de ontem, deputados da base do governo se empenharam em impedir a votação do projeto, afirmando que o pedido partiu do Planalto.

Negociação

Para atender a reivindicações dos clubes de futebol e do próprio presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), que interviu, os artigos referentes à CBF foram retirados do projeto pelo relator, deputado Otavio Leite (PSDB/RJ). Os contratos de agentes esportivos e atletas, itens sobre segurança, atuação de empresários no setor e questões trabalhistas também saíram da proposta. Para que haja acordo e a renegociação da dívida dos clubes siga adiante, a ideia é que elas sejam debatidas separadamente.
Inicialmente, a proposta ; articulada pelo deputado Vicente Cândido (PT/SP), um dos vice-presidentes da Federação Paulista de Futebol ;, previa 90% da dívida convertida em projetos de formação de atletas. Agora, as alterações do relator propõem o pagamento total dos débitos, sem perdão, mas com mais tempo para pagar e com correção de juros menor. Também são novidades a criação de duas modalidades de loteria, uma delas de aposta on-line, e um fundo para incentivar o esporte em escolas.





Pós-comissão
Após a conclusão do projeto de renegociação da dívida dos clubes de futebol, os deputados vão continuar a debater temas especiais do meio esportivo. Os trabalhos seguirão em três frentes diferentes: violência, a atuação de empresários no meio esportivo e relações de trabalho. A tragédia mais recente, no Estádio do Arruda, no Recife, foi citado como exemplo para a necessidade de debater os casos de violência dentro e fora dos estádios.



Cartolas
presentes
Presidentes de Vasco, Flamengo, Coritiba e Vitória acompanharam o debate pessoalmente e, mais uma vez, voltaram para os seus estados sem resposta para as suas dívidas ; que, com os débitos de outros clubes, somam mais de R$ 4 bilhões. Antes da reunião, os cartolas se reuniram em particular com parte dos deputados. Os encontros têm sido rotina nos bastidores da Câmara e de um deles saiu o ;veto; que blinda as contas da CBF.

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