Curso de segurança para juízes

Curso de segurança para juízes

DIEGO ABREU
postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 6/5/14)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 6/5/14)

Vinte e sete juízes de todo o país deixaram de lado as roupas formais e trocaram os gabinetes por aulas práticas de defesa pessoal. Aprenderam, em Brasília, técnicas de manuseio de armas e de direção defensiva. Os magistrados não só tiveram instruções para aprimorar a própria segurança, como também vivenciariam o dia a dia das investigações que resultam nos processos que julgam.

No curso, promovido pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), o grupo fez aulas práticas no autódromo, disparou tiros e recebeu instruções sobre o manuseio de armas, no Centro de Operações Táticas da Polícia Federal. Mas também aprendeu técnicas de investigação criminal, na Academia Nacional de Polícia, e passou uma manhã conhecendo o sistema de controle de tráfego aéreo e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa).

O diretor de Relações Institucionais da Ajufe, Alexandre Vidigal, explicou que a finalidade do curso é qualificar o juiz para o cotidiano de trabalho e preservação da segurança pessoal. ;Estamos cobrindo um espaço que deveria ser preenchido pelo Estado. Juiz federal julga acidentes aéreos. Pergunta se ele conhece a vivência, a complexidade do sistema;, destacou Vidigal, que é juiz federal. ;Um bom juiz não é aquele que só conhece as leis, mas aquele que conhece bem o mundo;, acrescentou.

Os 27 selecionados para o curso foram escolhidos por meio de sorteio. Passaram três dias em Brasília, com passagem, hospedagem e alimentação custeadas pela associação, que desembolsou R$ 40 mil. No autódromo, eles fizeram manobras difíceis e simularam fugas de situações de risco.

Juiz federal em Araçatuba (SP), Pedro Novaes avalia como fundamental que magistrados saiam do gabinete para aprender técnicas de proteção pessoal. ;Tive um caso de ameaça por terceiros quando estava à frente de uma operação, mas cachorro que late muito não morde. Acabei condenando a pessoa, fiz o que a minha consciência mandou. Foi uma ameaça bem leve comparada com juízes que trabalham na fronteira. Todo juiz criminal recebe uma ameaça aqui, outra ali;, contou.

O chefe de Segurança da Justiça Federal, Flávio Bosco Farias, ressaltou a importância de aprimorar a proteção dos juízes, mas alertou que o treinamento não pode ser um ato isolado. ;A cultura de segurança é uma coisa diária. A pessoa tem que acordar de manhã sabendo que, na saída de casa, alguém pode estar esperando. Não estamos falando de paranoia, mas da necessidade de um olhar atento;, frisou.

Entre as instruções recebidas pelos juízes, está a de que, quanto menos solavanco der no carro, maior a dirigibilidade. ;Caso alguém venha a sofrer alguma ameaça, estamos passando técnicas como a manobra de ré para fuga, habilidades e autoconfiança no trânsito, visando questão de sobrevivência;, detalhou o instrutor Weber Silvério de Toledo.

;A pessoa tem que acordar de manhã sabendo que, na saída de casa, alguém pode estar esperando. Não estamos falando de paranoia, mas da necessidade de um olhar atento;
Flávio Bosco Farias, chefe de Segurança da Justiça Federal

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