Rombo elétrico além do previsto

Rombo elétrico além do previsto

» Simone Kafruni
postado em 10/05/2014 00:00
O gargalo do setor elétrico está cada vez mais apertado porque a conta não fecha. O empréstimo de R$ 11,2 bilhões obtido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para socorrer as distribuidoras de energia já é insuficiente, o Tesouro Nacional garante que não vai aportar mais recursos e o leilão de transmissão realizado ontem não foi o que se esperava. Como se não bastasse, o preço da energia no mercado livre voltou a bater no teto, de R$ 822,83 por megawatt/hora (MWh).

Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que vai aumentar em R$ 700 milhões o valor da segunda parcela do empréstimo. Agora, o repasse será de R$ 4,045 bilhões e não mais de R$ 3,285 bilhões. Somado à primeira parcela, de R$ 4,7 bilhões, o total utilizado em fevereiro e março deste ano chega a R$ 8,7 bilhões. Sobram apenas R$ 2,5 bilhões para abril. Como o aumento das tarifas para cobrir o rombo das distribuidoras será só em 2015, vai faltar dinheiro para o resto do ano.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, afirmou que a necessidade das empresas para abril será menor porque a carga diminuiu. ;O consumo foi reduzido, mas ficou um problema para a liquidação dos valores de maio para frente;, alertou. Leite destacou que a Abradee vai se reunir com o governo para tentar articular uma solução para os oito meses restantes do ano.

Dificuldades
Com a falta de chuvas e o baixo nível dos reservatórios, o país depende da geração de energia das termelétricas para suprir o abastecimento, o que eleva o preço do MWh. Desde fevereiro, o valor está em R$ 822,83. Como as distribuidoras estavam descontratadas em 3,3 mil MW médios, ficaram a mercê do alto preço do mercado livre, que só caiu para R$ 796,07 na semana passada, após o leilão emergencial feito pelo governo. Ontem, no entanto, o preço voltou a bater no teto.

;Essa crise foi anunciada. Falta planejamento no Brasil. O governo só toma uma atitude quando está à beira do precipício. Aí só resta contabilizar o prejuízo;, lamentou o presidente da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (ABRAPECH), Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni.



; Responsabilidade

O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, culpa o modelo de contratação das termelétricas, por disponibilidade, pela elevação do preço do MWh. ;O governo paga pelo aluguel das máquinas para poder usar as usinas quando for necessário, mas tem que arcar com o preço do combustível por fora. Como está demandando as térmicas no máximo, fica sujeito à elevação do preço.;


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