Nasce uma potência

Nasce uma potência

» Silvio Queiroz
postado em 10/05/2014 00:00

Em 24 de junho de 1945, pouco mais de um mês depois da rendição das tropas alemãs em Berlim, a primeira Parada da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou, teve duas estrelas. No centro do palanque, Josef Stalin saboreava o triunfo que consolidou sua posição de líder incontestável da superpotência que emergia das ruínas ; de Moscou, de Leningrado (hoje São Petersburgo), sobretudo de Stalingrado (atual Volgogrado). À frente dos soldados que marchariam pisoteando bandeiras e estandartes nazistas, desfilou montando um cavalo branco o marechal Gueorgui Júkov, artífice da contra-ofensiva soviética e da conquista da capital do III Reich.

Para os dois, e para milhões de soviéticos, a cerimônia que adiante seria repetida anualmente em 9 de maio representava o fim da Grande Guerra Patriótica, o nome que o Kremlin cunhou para o conflito mundial. A URSS, que viu o inimigo às portes de suas três cidades mais simbólicas, perdeu 26,6 milhões de cidadãos, entre eles pouco mais de 8 milhões de combatentes.

Sobreviveu, contra todas as expectativas, graças a um esforço coletivo que envolveu não apenas o engajamento em massa de homens, mulheres e jovens na frente de combate e na resistência clandestina ; na importante porção do território que esteve sob ocupação.

Sobretudo a partir da invasão alemã, em junho de 1941, grande parte da indústria foi convertida para a produção de material bélico, principalmente tanques e artilharia. Cidades inteiras foram removidas de regiões ocidentais para a Sibéria, além dos Montes Urais. A URSS saiu da guerra robusta como nunca, mas a vitória fez de Stalin um líder a tal ponto incontestável que até mesmo Júkov, o ;conquistador de Berlim;, foi encostado em um posto secundário, para que não lhe fizesse sombra.

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