O barão de R$ 100 milhões

O barão de R$ 100 milhões

Marcelo Oliveira é dono de fazenda, posto de gasolina, casa de câmbio, veículos e imóveis: tudo comprado, segundo a polícia do DF e de Goiás, com o dinheiro do tráfico. Grupo liderado por ele trazia à capital 450kg de pasta-base de cocaína a cada 15 dias

» KELLY ALMEIDA
postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: PCDF/Divulgação)
(foto: PCDF/Divulgação)






Financiada pela venda de pasta-base de cocaína, a lista de bens do traficante Marcelo Oliveira aumenta a cada investigação dos agentes civis envolvidos na prisão dele. Entre fazendas, postos de combustíveis, empresas de factoring (troca de cheque por dinheiro), casas de câmbio, criação de gado e imóveis, os valores podem ultrapassar os R$ 100 milhões. Ele foi detido na última quinta-feira durante a Operação Resgate, realizada em parceria com as polícias civis do Distrito Federal e de Goiás.

Marcelo é considerado o maior traficante das duas unidades da Federação. Somente neste ano, quase uma tonelada de pasta-base foi apreendida com o grupo dele, segundo os investigadores ; cerca de 400kg foram recolhidos nessa última ação, e o restante, em fevereiro. Com a venda de toda a mercadoria, o acusado lucraria pelo menos R$ 10 milhões.

A prisão do suspeito não encerra as investigações conduzidas pelos policiais da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), de Goiás. Eles tiveram apoio dos agentes da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil do DF. Até chegarem a Marcelo, os policiais monitoraram durante um ano e meio os passos dele e dos comparsas. Descobriram que ele se mudou de Goiânia para o DF há aproximadamente dois anos. Aqui, mantinha uma vida altamente luxuosa. ;São muitos bens no nome dele, que gosta de ostentar e manter o luxo a custo do tráfico. É esperto e não fala muito por telefone. Mas as interceptações mostram os outros suspeitos o chamando pelo nome e de chefe. Semanalmente, estava em Goiânia para fazer as negociações do tráfico;, ressalta o chefe da Denarc, Odair Soares.

Contato em presídios

Na mansão em que Marcelo morava no Park Way, os agentes apreenderam três carros importados e material para ajudar nas investigações. Tudo será analisado. Escutas telefônicas captadas com autorização da Justiça também indicam ligações entre o traficante com comparsas dentro de presídios. Nas conversas, sempre o mesmo assunto: negociação de compra e venda de pasta-base de cocaína. A cada 15 dias, pelo menos 450kg da substância eram trazidos do Paraguai pelo grupo. No Distrito Federal e em Goiás, a droga era revendida em poucos dias. ;Como ele tem casas de câmbio, tinha facilidade em pegar outras moedas e pagava toda a pasta-base em dólar;, detalha Odair.

No Departamento de Polícia Especializada (DPE), Marcelo negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas. ;Ele é bem articulado e leva na conversa quem não está preparado. Disse-nos que foi preso no passado por tráfico, mas que não fazia mais isso. Vamos continuar as investigações aqui no DF para saber se ele tem conexão com outros traficantes;, detalha o chefe da Cord, Rodrigo Bonach. Ontem, Marcelo e os outros presos na Operação Resgate foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP).

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