Mais um pontapé

Mais um pontapé

Jérôme Valcke alerta turistas para falta de segurança, de estrutura, preços altos e transportes precários durante o Mundial no Brasil

postado em 10/05/2014 00:00
 (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 10/10/13
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(foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 10/10/13 )
Há dois anos, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que o Brasil merecia um chute no traseiro devido aos atrasos nas obras da Copa. Nesta semana, o dirigente deu mais uma demonstração de que a paciência com o país sede do Mundial de 2014 passou do limite. Em um alerta aos milhares de torcedores estrangeiros que desembarcarão em solo verde-amarelo nas próximas semanas, Valcke disparou. ;Não adotem o mesmo comportamentos e o mesmo planejamento como se estivessem na Alemanha, na Copa de 2006. Não apareça (no Brasil) achando que é a Alemanha);, reforçou.

Jérôme Valcke deu o recado em Zurique, durante uma conversa com agências internacionais. O francês admitiu que, desta vez no Brasil, os torcedores não poderão dormir nos carros ou em barracas, como em 2006, na Alemanha, nem usar trens para ir de uma sede a outra. O cartola foi claro ao avisar que os torcedores serão os mais prejudicados na Copa de 2014 devido às distâncias, falta de estrutura, preços altos, insegurança e transportes precários. ;Eu sei que é difícil falar sem criar uma série de problemas. Mas a minha mensagem aos torcedores é de que tenham certeza de que a viagem está totalmente organizada antes do embarque ao Brasil;, avisou.

O alerta de Jérôme Valcke é principalmente aos chamados mochileiros. ;Não há como dormir na praia, porque é inverno. Garanta sua acomodação. Não há como chegar com uma mochila e começar a andar. Não existem trens, não se pode dirigir de uma sede à outra;, explicou Valcke. ;Não apareçam no Brasil pensando que é a Alemanha, que é fácil se mover pelo país.

Na Alemanha, era possível dormir no carro. No Brasil, não;, reforçou. ;O maior desafio será para eles (torcedores). Não será para a imprensa, não será para os times nem dirigentes. Será para os torcedores;, frisou.

A Fifa admite que sabia das dificuldades desde 2009, mas acreditou que haveria tempo suficiente para que todas as reformas fossem feitas. ;Nós sabíamos disso. Mas era em 2009. Esperávamos que, em cinco anos, o país entregasse o que havia sido acordado;, lembrou.

Culpa do Lula?

Jérôme Valcke ressaltou que a decisão de ter 12 cidades sedes não foi ideia da Fifa. Segundo ele, foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, que fizeram questão de insistir com a entidade de que o Mundial teria de ocorrer em 12 cidades em vez de oito. ;É verdade que você multiplica os riscos ao ter mais estádios. Mas vivemos uma situação na qual tínhamos um governo e um presidente, que naquele momento era o Lula, explicando que a Copa deveria ser para todo o Brasil e não apenas para poucas cidades;, argumentou Valcke.

O dirigente também reconheceu que a lógica seria dividir as 32 seleções em quatro grupos regionais, justamente para evitar que tivessem de sair de Manaus e jogar em Porto Alegre ou de São Paulo para Recife. ;Isso evitaria que eles tivessem de se mover para outras zonas do Brasil;, declarou. Mas a Fifa acabou sendo obrigada a abandonar a ideia de dividir o país em quatro, justamente por causa da insistência da CBF e do governo de que a Seleção Brasileira percorreria o Brasil em seus jogos.

"Não apareçam no Brasil pensando que é a Alemanha, que é fácil se mover pelo país. Na Alemanha, era possível dormir no carro. No Brasil, não;
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa

Blatter tentará reeleição
No comando da Fifa desde 1998, o suíço Joseph Blatter confirmou, ontem, que tentará mais uma reeleição no pleito de 2015. O dirigente avisou que pedirá o apoio aos 209 países filiados à entidade para tentar ser eleito pela quinta vez consecutiva. Em entrevista a um jornal da Suíça, ao ser perguntado se confirmava sua candidatura à reeleição, Blatter disse: ;Sim, eu gostaria de fazer isso. O meu mandato está quase no fim, mas a minha missão ainda não terminou;, garantiu o dirigente, que terá 79 anos quando a próxima eleição acontecer, em maio do ano que vem. A oficialização da candidatura de Blatter deve acontecer no próximo congresso da Fifa, em São Paulo. Até agora, apenas Jérôme Champagne, ex- aliado do suíço, confirmou que concorrerá. O presidente da Uefa e ex-jogador da França, Michel Platini, admitiu o desejo de comandar a Fifa, mas não deixou claro se tentará na próxima eleição.



México convoca o carrasco do Brasil

O México foi convocado ontem, e a Seleção Brasileira tem péssimas recordações de um nome em particular da lista do técnico Miguel Herrera. Oribe Peralta, atacante de 30 anos, do Santos Laguna, foi o autor dos dois gols que deram a medalha de ouro aos mexicanos na final das Olimpíadas de Londres, em 2012, na vitória por 2 x 1 sobre o Brasil. Comandada à época por Mano Menezes, a esquadra canarinho perdeu pela quinta vez para os mexicanos em seis finais entre as duas equipes. Na decisão olímpica, o gol do Brasil foi de Hulk. Brasil e México se enfrentam em 17 de junho, no Estádio Castelão, em Fortaleza, duelo válido pela segunda rodada do Grupo A da Copa do Mundo de 2014.

Um dos destaques na lista apresentada por Miguel Herrera é a presença de Giovani dos Santos, meia-atacante revelado pelo Barcelona. A única surpresa foi a ausência de Javier Aquino, do Villarreal, da Espanha. Filho do ex-jogador brasileiro Zizinho, o mexicano Giovani dos Santos tem a chance de, novamente, atuar no país do pai. Ele jogou por aqui na Copa das Confederações do ano passado e agora foi convocado novamente. O atacante sofreu lesão no tornozelo, mas se recuperou nas últimas semanas para confirmar seu lugar na seleção.

Além de Javier Aquino, outra nome ausente é Moisés Muñoz. Ele não conseguiu desbancar os três goleiros favoritos para garantir lugar. Juan Carlos Valenzuela também não foi lembrado, embora tenha figurado frequentemente nas últimas convocações do técnico Herrera. Além do Brasil, o México enfrentará Croácia e Camarões na Copa.

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Número de gols de Peralta sobre o Brasil na final olímpica de Londres, em 2012

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