Devoluções após os saques

Devoluções após os saques

Paulo Trigueiro Raphael Guerra
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Allan Torres/Esp.DP/D.A Press)
(foto: Allan Torres/Esp.DP/D.A Press)

Recife ; A delegacia de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, ficou pequena para a grande quantidade de eletrodomésticos apreendidos que precisou abrigar ontem. Resgatados a partir de prisões ou devolvidos pelas mãos de quem os furtou, os aparelhos não param de se amontoar. Nem na sala do delegado titular, Alberes Félix, havia espaço para os materiais que chegavam.

No começo da tarde de ontem, quatro pessoas já haviam sido detidas, e oito tinham devolvido mercadorias. As devoluções espontâneas começaram a chegar depois que a polícia prendeu quem portava produtos roubados durante a greve da PM. Com medo de serem detidas, muitas pessoas tiveram a iniciativa de procurar a delegacia. No fim da tarde, eram mais de 200 eletrônicos e eletrodomésticos. ;A consciência pesou;, disse a cozinheira Sandra Batista, que entregou dois televisores. ;Em condições normais, abrimos um inquérito, mas acho possível que, dadas as circunstâncias, o promotor não denuncie as pessoas;, explicou o delegado Félix.

Um procedimento administrativo disciplinar será aberto pela Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco para apurar a responsabilidade dos policiais militares envolvidos no movimento grevista, finalizado na noite de quinta-feira, após 48 horas. Eles podem ser punidos com advertências e até serem expulsos, a depender do resultado das investigações.

;A greve é considerada motim ou rebelião pelo Código Penal Militar. Estou falando de crime. Estamos consolidando os dados para instaurar inquéritos e encaminhá-los à Justiça Militar;, afirmou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, acrescentando que tropas do Exército devem continuar na cidade até o dia 29.

A SDS ainda apresentou ontem o balanço das ocorrências registradas entre a última terça-feira e a quinta-feira, período da greve. Foram 897 roubos. Carvalho, porém, ressaltou que muitos casos não foram registrados pelas vítimas. Segundo o secretário, apesar da grande quantidade de pessoas flagradas saqueando os estabelecimentos comerciais, ;cada loja invadida é considerada como apenas um furto;. Em relação ao número de assassinatos nos três dias, foram 40 registros em Pernambuco. Uma média de 13,3 mortes por dia.

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