Correio Econômico

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Balcão do atraso

por Sílvio Ribas / silvioribas.df@dabr.com.br %u2014 Interino
postado em 17/05/2014 00:00
O Brasil é, desde a sua descoberta, um lugar muito complicado para trabalhar e para empreender. Contra a praga de sua burocracia dominante, alternativas e atalhos são propostos a todo momento, mas até mesmo as boas iniciativas parecem sempre encontrar formas de seguir dificultando a vida dos cidadãos. A tentação de pedir três cópias autenticadas de vários documentos para celebrar um negócio está no DNA das autoridades. O pior é que isso em nada inibe a fraude e a corrupção, podendo até agravar as distorções. Em vez de papelada e dos muitos carimbos, as iniciativas seriam mais seguras se todos pudessem contar com agilidade da comunicação dos órgãos de controle e documentação.

Mas não é isso que ocorre. Muito pelo contrário. Nos últimos dias temos visto exemplos que mostram quanto decisões do Judiciário e outras instâncias públicas podem criar dificuldades extras, mesmo as bem intencionadas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que as notificações extrajudiciais, aquelas nas quais empresas são avisadas de que podem sofrer processos na Justiça, sejam feitas apenas em cartórios de títulos, e documentos, nas cidades onde as advertidas estão sediadas, gerando mais atrasos e custos. Antes, o serviço poderia ser feito dentro dos limites municipais do reclamante.

Outro caso curioso é o da decisão de uma juíza mineira que queria reagir em favor de consumidores incomodados com a orientação de funcionários de companhias aéreas para que buscassem os totens de autoatendimento. Esse serviço das empresas, prestado com o simples objetivo de reduzir as longas filas de check-in e agilizar o fluxo de passageiros, foi banido por ser visto como coação. Se formos olhar em volta, encontraremos uma série de outras situações nas quais a complicação aparece sem pedir licença. A modernidade dos ambientes de trabalho hoje poderia, por exemplo, levar a uma reflexão sobre os sistemas de cartões de ponto, que nem sempre medem a real produtividade do empregado.

Mais velocidade

A desintermediação das relações econômicas e sociais virou palavra da moda desde o surgimento, há pouco mais de 20 anos, quando do surgimento da internet comercial. Esse termo também está na base de um esforço internacional para dar velocidade e menos custos a todo tipo de transação, num mundo movido a bits e onde pessoas têm cada vez menos tempo. Até Portugal, país de onde as instituições brasileiras herdaram uma cultura burocrática e cartorial, tem tido avanços nessa direção, quase todos inspirados, curiosamente, em iniciativas como os serviços públicos Na Hora (DF), Psiu (MG) e SAC (SP).

Apesar de servirmos de inspiração e de termos conseguido algumas conquistas na incorporação à rede mundial de computadores de serviços ao cidadão, legisladores e juristas continuam pensando em maneiras de restaurar e ampliar o volume de impressos e de despachos postais. Uma situação dessas, por exemplo, é o interesse de alguns políticos em acoplar à urna eletrônica um dispositivo para imprimir todos os votos nela registrados, a título de comprovante. Algo retrógrado e genuinamente brasileiro.

Por outro lado, o Brasil talvez seja o único país do mundo no qual um título sem qualquer nome ou número fiscal nele escrito dê ao portador o direito de sacar dezenas de milhões de reais. O bilhete da Mega é de uma simplicidade tão grande quanto os sonhos que ele evoca.


China quer vender
trem-bala ao Brasil


; O ministro dos Transportes, César Borges, embarcou rumo à China, em busca de investimentos em infraestrutura logística. Acompanhado do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, ele participará de reuniões com autoridades chinesas para apresentar as opções de investimentos em ferrovias no país devido ao interesse de empresas daquele país. O maior interesse do governo chinês, por sua vez, é vender o seu modelo de trem bala, vetado na licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) brasileiro, devido à exigência no edital de um histórico recente limpo de acidentes graves. A visita da comitiva brasileira antecede a vinda ao Brasil do presidente da China, Xi Jinping. Ele tem viagem oficial marcada em julho para a reunião, em Fortaleza, da cúpula dos chefes de estado do grupo Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Nessa oportunidade, Jinping vai oferecer locomotivas velozes em troca de investimentos.

Chilenos são
melhores de copo

; Apesar da fama de grande consumidor de bebidas alcoólicas, o brasileiro figura apenas no quinto lugar nesse aspecto na América Latina. A região é a segunda que mais bebe no mundo, superada só pela Europa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo per capita no Brasil é de 8,7 litros por ano, ficando atrás do Chile, que lidera os países latino-americanos, com 9,6, seguido de Argentina (9,3), Venezuela (8,9) e Paraguai (8,8). A cerveja responde por 53% consumo, boa parte graças ao Brasil.

Missão empresarial
do Brasil em Paris


; O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, se reúne na terça-feira, em Paris, com nove presidentes de federações locais de indústria e mais de 70 empresários brasileiros, incluindo executivos da Vale, da Embraer e das construtoras Camargo Correa e Andrade Gutierrez. Eles participam do Fórum Econômico Brasil-França, com o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges. Andrade defenderá a rápida conclusão do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e a União Europeia (UE).


Com Odail Figueiredo e Rosana Hessel


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