Nova ameaça às exportações

Nova ameaça às exportações

Embarques brasileiros para a Argentina, que já estão em queda, podem ser prejudicados ainda mais por decisão judicial nos Estados Unidos

» ROSANA HESSEL
postado em 17/05/2014 00:00
Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, a ser tomada nas próximas semanas, pode dificultar ainda mais as exportações para a Argentina, destino de boa parte dos produtos manufaturados brasileiros, sobretudo da indústria automotiva. A possível recusa do pleito do governo brasileiro para ser considerado como amicus curiae na disputa entre o país vizinho e um grupo de fundos de investimento norte-americanos aumentará as chances de derrota de Buenos Aires, que teria, nesse caso, de honrar uma conta capaz de chegar a US$ 4 bilhões.

Ao se declarar ;amigo da Corte;, o Brasil pretendeu dar uma espécie de aval e se identificou como um dos países que querem ajudar a Argentina no embate judicial. De acordo com fontes que acompanham o assunto, é grande a possibilidade de o tribunal recusar o apoio brasileiro por considerar que ele foi concedido em meio a negociações bilaterais sobre a renovação do acordo automotivo, o que caracterizaria uma troca de favores entre os dois países.

Os fundos não aceitaram os termos da renegociação do calote argentino de 2001 e cobram US$ 2 bilhões de Buenos Aires, que perdeu em todas as instâncias, até agora. Integrante da Suprema Corte, a juíza Sonia Sotomayor já informou que não vai votar no processo, de acordo com uma das fontes. ;Sobram oito juízes e, se houver empate, prevalecerá a decisão anterior;, disse. Nesse caso, o valor pode dobrar, segundo algumas estimativas, o que comprometerá ainda mais as magras reservas de moeda estrangeira argentinas, que estão de US$ 25 bilhões a US$ 27 bilhões.

Tombo
A derrota acabará afetando as exportações de manufaturados do Brasil e para o principal sócio do Mercosul, que já estão em queda vertiginosa. De janeiro a abril, o tombo foi de 75,47% na comparação com o mesmo período de 2013, para US$ 4,4 bilhões. ;Se perder a ação judicial nos EUA, a Argentina terá de pagar o equivalente a três meses de importação. E isso afetaria a indústria brasileira, principalmente a automobilística, que direciona 80% das vendas externas ao país vizinho;, alertou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

O acordo automotivo é a aposta das montadoras para garantir o mercado portenho. No entanto, há vários pontos sobre os quais não há entendimento. Os argentinos querem impor um limite de exportações brasileiras do setor, de US$ 1,35 para cada dólar vendido por eles ao Brasil, que sugere um valor de US$ 1,95 por dólar.


; Importados:
entrada recorde


A participação de produtos estrangeiros no consumo nacional bateu novo recorde e atingiu 22,5% no primeiro trimestre, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Coeficiente de Penetração de Importações, calculado pela entidade, aumentou 0,4 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2013 e cresceu 1,4 ponto na comparação com os três primeiros meses do ano passado. Entre os 23 setores da indústria de transformação, a fatia dos importados caiu apenas em dois: farmoquímicos e farmacêuticos e outros equipamentos de transporte (navios, reboques, aviões etc.). As maiores altas ocorreram em veículos, vestuário, têxteis e produtos de metal. ;O indicador confirma a falta de competitividade da indústria, que está perdendo mercado interno e externo;, avaliou o gerente executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.



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