O medo está no ar

O medo está no ar

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA placidofernandes.df@dabr.com.br
postado em 17/05/2014 00:00

Quem conhece João Santana assegura que o marqueteiro do PT não veicularia a propaganda à moda Regina Duarte sem antes testar o efeito da peça diante de diferentes públicos. Afinal, a intenção do comercial do medo é estancar a queda livre de Dilma nas pesquisas de intenções de voto e, se possível, inverter a curva, fazendo com que volte a crescer.

No entanto, especialistas avaliam que, assim como ocorreu com Serra, quando usou o expediente terrorista contra Lula em 2002, a iniciativa pode se voltar contra a própria Dilma. Afinal, a cinco meses da eleição, lançar uma campanha dessa natureza significa que, nas avaliações internas, a cúpula petista chegou cedo demais à conclusão de que a reeleição se inclinou para o rumo do brejo. E decidiu apelar.

Em todo o país, há um clima estranho no ar. Manifestações, linchamentos, arrastões, saques. Os nervos parecem à flor da pele. E a campanha do medo torna ainda mais sombrio esse cenário. Haverá, durante a Copa, grandes protestos populares? Em junho de 2013, até os órgãos de segurança do governo foram surpreendidos pela onda de insatisfação que sacudiu o Brasil. De novo, à exceção do ministro Aldo Rebelo, ninguém arrisca prognóstico.

Nas ruas, o mal-estar é tão pesado que petistas de alta patente, como Gilberto Carvalho, Haddad e Padilha, começaram a ser vaiados até em eventos da CUT e de ONGs que sempre se alinharam com o partido. Em quase todas as pesquisas, um dado se repete: a maioria dos brasileiros, geralmente mais de 70%, quer mudança. Se estiverem certas, significa que o mau humor generalizado contagiou até o voto dos grotões, aquele que o PT tem como certo para se manter por mais quatro anos no Planalto.

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