Pedido de atenção à Demonstrativa

Pedido de atenção à Demonstrativa

Enquanto as obras para reforma de uma das bibliotecas mais tradicionais do DF não começam, usuários dão "abraço" na construção e exigem mais pressa nas obras. O acervo de livros, a gibiteca e as áreas de estudos seguem inacessíveis

THIAGO SOARES
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Há 11 dias, o local que antes era dedicado para a cultura e educação, está lacrado por falta de segurança estrutural. Para mostrar a insatisfação com o fechamento, usuários e funcionários da Biblioteca Demonstrativa de Brasília, na W3 Sul, fizeram, ontem, um ato em favor do espaço. Cerca de 150 pessoas abraçaram o tradicional ponto de estudos e leitura da capital federal. Eles exigem providências quanto à reforma e, consequentemente, à reabertura. Em média, mais de 700 pessoas frequentavam o espaço diariamente.

O escritor Gustavo Dourado esteve no local e fez até um cordel: ;Dê um abraço apertado/Dedique a sua atenção.../Biblioteca Demonstrativa:/Saudade da Conceição.../Biblioteca na alma:/O livro no coração...;, diz o início do poema. Ele frequenta o espaço desde 1975 e também foi estagiário da Demonstrativa, quando cursou letras na Universidade de Brasília (UnB). ;Eu fiz o texto exatamente para mostrar a indignação da sociedade com o descaso com a cultura do nosso país;, contou o escritor. Para Dourado, o espaço exerceu forte influência no desenvolvimento da literatura brasiliense. Lá, por exemplo, funcionou o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, de 1979 a 1990.;Nós tínhamos uma grande abertura aqui. Quando não havia lugar para nos reunirmos, era aqui na Demonstrativa que ocorriam os recitais e os sarais;, lembrou.

O acervo de livros, a gibiteca e as áreas de estudos da biblioteca estão inacessíveis aos usuários. A Demonstrativa foi interditada pela Defesa Civil devido a problemas estruturais no prédio, construído em 1960, na Entrequadra 506/507 Sul. As instalações elétricas estavam sobrecarregadas, apresentando risco de curto-circuito. Outra preocupação é com a marquise da edificação, que corre riscos de desabar. Antes da interdição, os funcionários do espaço alertaram a Fundação Biblioteca Nacional, responsável por administrar o espaço, sobre os problemas estruturais. A sala de informática estava desativada e o sistema de ar condicionado também não funcionava. O público, que antes era de 1.500 pessoas por dia, passou para 700 diários.

A estudante Thathyara Dantas, 17 anos, compareceu ao abraço à biblioteca. Ela vai prestar o vestibular para direito e se preparava no espaço. ;Eu participava dos projetos de reforço de estudos realizados aqui. Há algumas salas dedicadas para isso;, comentou. Desde quando a Demonstrativa foi interditada, ela passou a freguentar a biblioteca da escola. ;Não é a mesma coisa. Lá, o local funciona somente no horário de aulas, e não tem a mesma estrutura, é pequena.;

O maestro José Antunes, 72 anos, chamou atenção com o cartaz que carregava, com os dizeres ;Livro Fechado, povo controlado;. Para ele, a biblioteca fechada demonstra o descaso com a cultura e educação do país. ;São bilhões destinados à Copa do Mundo, muito dinheiro para os estádios, e as bibliotecas foram deixadas de lado;, explicou.

A Fundação Biblioteca Nacional informou, por meio da assessoria de imprensa, que os processos de recuperação estão em andamento, mas não comentou sobre o ato promovido pelos usuários e funcionários do local. Os empregados da Demonstrativa relataram que os técnicos da fundação ainda não estiveram lá para ver as condições. Até então, nenhum cronograma ou projeto de reforma foi apresentado à direção do espaço.



"Quando não havia lugar para nos reunirmos, era na Demonstrativa que ocorriam os recitais e os sarais;
Gustavo Dourado, escritor e usuário



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