O prazer em ajudar

O prazer em ajudar

O serviço voluntário tem bons representantes na capital federal. É realizado por gente que não pensa em dinheiro e dedica parte do tempo e do talento para fazer o bem. O Correio conta abaixo histórias de alguns desses benfeitores

» GUILHERME PERA
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Eles são pessoas comuns. Não pertencem a partidos políticos nem gerenciam grandes empresas. Ajudam o próximo sem receber dinheiro em troca ou sem pagar promessa. Entre reaproveitamento de flores para eventos beneficentes e preservação de patrimônio histórico, auxílio a famílias carentes e criatividade na escola, o Correio conta quatro casos de gente que sente prazer em fazer o bem para os outros.

A diretora do Centro de Voluntariado do Distrito Federal, Olívia Volker, diz que as ações individuais são a força propulsora desse tipo de trabalho no Brasil. ;Serviço voluntário é você dedicar o seu talento e o seu tempo para ajudar algo ou alguém sem receber retorno financeiro;, define. ;O brasileiro é muito solidário, mas falta sistematização do voluntariado, o que acontecem são ações pontuais;, lamenta.

Olivia observa ainda que a assistência deve vir da vontade de cada um. Acrescenta que as pessoas deveriam olhar mais para os lados e notar quem precisa de ajuda. ;Não é necessário viajar para a África e visitar uma aldeia do Congo. No DF, existe muita gente que precisa de ajuda;, afirma.



Patrimônio preservado

Planaltina passa dos 150 anos, a mais antiga cidade do Distrito Federal. O centro histórico é, tradicionalmente, um reduto excludente, da elite. Acontece que boa parte da tradição da cidade está ali. A missão de Simone Lima, 55 anos, fundadora e presidente da Associação Amigos do Centro Histórico de Planaltina, é preservar o patrimônio e atrair planaltinenses e turistas. ;A história do Brasil, assim como a de Planaltina, foi contada pela elite branca. Então, o ;Silva; não se sentia dono da praça, que chamava pelo nome oficial, Coronel Salviano Guimarães;, relata. ;A minha ideia é defender o patrimônio histórico, fiscalizar e promover eventos na ilha na qual eles não se sentem donos. Agora, chamam de Pracinha do Museu;, comemora.
O artesão Adeilton de Oliveira, 40 anos, concorda. ;Com a ação da Amigos, Planaltina ficou mais conhecida e apareceu no mapa;, afirma, enquanto mostra uma maquete do centro histórico feita com buriti. Para informações e adesões, acesse www.facebook.com/centrohistoricodeplanaltina ou ligue para 9279-0003 (Simone Lima).



Flores recicláveis

Do talento e do tempo de Zilá Costa (a segunda, da direita para a esquerda), 64 anos, nasceu o grupo Reflorir. Presidente da sucursal brasileira da escola japonesa de arranjos florais Ikebana Sogetsu, ela decidiu reutilizar flores de casamentos sofisticados. A iniciativa tem dois anos e já distribuiu 1,3 mil arranjos. ;Muitas vezes, o cerimonialista ou a própria noiva nos liga para pegarmos as flores, pois se sentem mal em deixá-las morrer;, comemora.

Os destinos das flores que Zilá e sua turma pegam nos matrimônios são variados, mas sempre gratuitos. O Reflorir presenteou abrigos de idosos, mães carentes, oficinas de reabilitação e doadores de sangue do Hemocentro. O que seria descartado também é usado em oficinas de ensino e de recreação com técnicas florais. O último evento foi o casamento comunitário promovido pela Secretaria de Justiça do Distrito Federal. Os interessados devem entrar em contato com Zilá pelo e-mail projetoreflorir@gmail.com ou pelo telefone 3248-0579.



Cantinho do estudante

O professor Davi Moreira (foto), 53 anos, dá aulas no Centro de Ensino Fundamental 4 (CEF 4), em Planaltina. Preocupado com os rumos da educação, ele acredita que a escola não é um ambiente com atrativo aos alunos. ;Ficam obrigados em uma sala com um professor que não para de falar;, descreve. Por causa disso, no começo do ano, ele construiu a Sala do Estudante, com tevê de 51 polegadas, canto de leitura e poltronas.

O espaço é aproveitado nos momentos de recreação e descanso. ;É uma forma de mantê-los na escola nas ;janelas;, os horários entre uma aula e outra;, afirma. Eliane Moura Alves, 37 anos, do Ensino para Jovens e Adultos (EJA), no período noturno, aprova a iniciativa do educador e dos estudantes. ;Na parte da noite, tem muita gente que está aprendendo a ler. A sala incentiva os alunos a ficarem na escola. Você chega, tem livros, lugar para sentar, é confortável. Eu, pelo menos, gosto muito;, conta.



Café da manhã e brinquedoteca

A advogada Livia Alarcão (de verde), 33 anos, é a coordenadora-geral do Mutirão de Solidariedade Chico Xavier. Trata-se de uma ação ecumênica, iniciada em 2002, sem a necessidade de atrair pessoas para o espiritismo. No programa, os voluntários visitam comunidades carentes e fazem convites para uma reunião mensal na sede do projeto, o Colégio Cecap do Lago Norte, entre as QLs 9 e 11. ;Vamos às partes mais pobres das comunidades pobres;, descreve Livia.

Em 2014, 50 famílias do Itapoã, de Planaltina e de Planaltina de Goiás são beneficiadas. No último sábado de cada mês, elas vão ao Cecap às 8h e tomam café da amanhã. As mães recebem aula de artesanato. As crianças tomam banho, ganham roupas e visitam a brinquedoteca. Às 12h30, todos almoçam e recebem uma cesta básica grande, com 5kg de arroz, 5kg de açúcar, 2kg de feijão, 2l de óleo, entre outros alimentos, e passagem de volta para casa.

A dona de casa Maria Rosana Pereira (com os filhos André e Andrele), 30 anos, moradora do Itapoã e mãe de quatro filhos, aprova a iniciativa. ;Somos bem tratados. Ganhamos cesta básica, as crianças brincam e eu ainda aprendo a mexer com pulseira e brinco;, diz. Quem quiser contribuir pode mandar e-mail para chicoxavier.mutirao@gmail.com.




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