Impulsionado pela religião

Impulsionado pela religião

postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Pedro Ayub recebeu a bola do goleiro após o tiro de meta. Aos 18 anos, fazia os primeiros treinos entre os profissionais do Caxias, equipe do interior gaúcho. Poderia tocar para o lado ou lançar um companheiro. ;Faz o simples;, escutou. Quando veio o marcador, deu um drible por entre as pernas do atleta mais experiente do elenco. Levou um soco na cara, tomou oito pontos e até hoje carrega a cicatriz acima da sobrancelha. Naquele momento, não disse nada. Tempos depois, veio a surpresa. Aos 20 anos, foi nomeado capitão. ;Tem a calma que o grupo precisa, guri;, disse o técnico Celso Roth, em referência ao episódio.

Na expectativa de erguer, hoje à tarde, seu segundo troféu como capitão do Brasília no Mané Garrincha, Ayub tem o perfil de liderança que costuma agradar aos comandantes. Longe do estereótipo de pagode no ônibus e fuga da concentração, ele compõe um grupo cada vez mais maior no futebol: o dos bons moços. Casou-se cedo, não bebe álcool, vive longe da farra. Reuniões em casa, só mesmo para juntar os colegas jogadores para uma roda de oração.

Não há ninguém mais experiente no atual elenco colorado do que o capitão Pedro Ayub, 37 anos. Para servir de exemplo, cumpre a santíssima trindade moral: Deus, família e oração. Nas preleções, fala de forma pausada, gesticulando brevemente, como um padre durante a homília: ;Deus gosta tanto deles como da gente. Joguem pelos filhos de vocês. Se o time perder, nós ficamos sem emprego;.

Os mais novos do elenco do Brasília o chamam de ;tio;. Até o carro do capitão ganhou o apelido de Mumm Rá, a múmia eterna ; não bastava transportar o velhinho, ainda vive coberto de poeira. Mas as brincadeiras se encerram aí. Todos valorizam a importância do trabalho religioso. ;Mantém o pessoal na linha;, comenta o meia Clécio.

O capitão acredita ainda ter ;mais quatro ou cinco anos; de futebol pela frente. Depois, não sabe se fica em Brasília ; tantas coisas ainda o incomodam. ;Olha ali, um campo lindo desse, com piscina ao lado, e não tem ninguém;, aponta, da sacada do apartamento alugado em Águas Claras. ;No Rio Grande, a gente estaria assando carne. Eu moro aqui há dois anos e não conheço meu vizinho;, completa, sentido falta de São Tomé, cidade na qual nasceu. A saudade só não é maior porque a mãe envia mensalmente 5kg de erva para o chimarrão, balas de leite e alfajor argentino.




Pedro Ayub
Volante, 37 anos
Carreira: Caxias, Lérida (ESP), Grêmio, Brasil de Pelotas, Santa Cruz-RS, Ipatinga, Vila Nova-GO, Novo Hamburgo-RS, Avaí, Portuguesa, Brusque-SC, Brasiliense, Chapecoense, Araguaína-TO, Hercílio Luz-SC, Gama, Rio Branco-AC e Brasília



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