RPM, um fenômeno oitentista

RPM, um fenômeno oitentista

por Irlam Rocha Lima irlamrocha.df@dabr.com.br
postado em 17/05/2014 00:00





Revoluções por minuto e Louras geladas tocavam incessantemente no rádio, quando o RPM se apresentou na cidade pela primeira vez, em 17 de agosto de 1985 ; um sábado ;, na área externa da Academia de Tênis. Foi um show atípico, pois ocorreu às 13h, mas mesmo assim Paulo Ricardo, Fernando Deluqui, Luiz Schiavon e Paulo Pagni reuniram uma multidão superior a 3 mil pessoas.

Logo depois, antes do almoço, entrevistei Paulo Ricardo ; tido com sex symbol do rock brasileiro. Durante o bate-papo, ele falou sobre o período que morou em Brasília com a família ; o pai era oficial do Exército ; na 209 Sul, entre 1974 e 1976. ;Eu era adolescente e não gostava daquela divisão dos jovens em guetos, formados por filhos de militares, de políticos e de servidores públicos.;

Ele revelou na conversa que tinha complexo de inferioridade, pois não era bom em nenhum esporte e detestava futebol. ;Além disso, as garotas eram inatingíveis. Elas preferiam os caras mais fortes e eu não tinha esse perfil. Gostava bastante de música e de andar de bicicleta. Costumava fazer passeios entre a minha quadra e o aeroporto, nos fins de semana.;

Ao voltar à capital, em 1986 a banda paulistana já havia se tornado o grande fenômeno do pop rock nacional. Praticamente todas as faixas do LP Revoluções por minuto haviam se transformado em sucessos. Canções como Rádio pirata, Olhar 43, A cruz e a espada, Louras geladas e a que deu nome ao álbum estavam na boca dos fãs, que faziam coro com Paulo Ricardo.

Frisson
No retorno, em abril de 1986, o RPM fez dois concertos ; um no dia 18 e outro no dia 19 ; no Circus Show, instalado próximo ao ParkShopping, com capacidade para 2 mil pessoas. Nas duas noites, o local esteve superlotado e muita gente ficou de fora, pois os ingressos se esgotaram com uma semana de antecedência. Como estabeleci uma boa relação com Paulo Ricardo, após o segundo concerto, o levei à Zoom, a discoteca do Centro Comercial Gilberto Salomão, que estava bombando na época. Ele levou a mulherada ao frisson.

Diante da demanda, o RPM fez outra apresentação na cidade em 28 de junho de 1986, no Ginásio Nilson Nelson. No repertório do show, dirigido por Ney Matogrosso, houve a inclusão de London London, a canção que Caetano Veloso havia composto no exílio londrino, interpretada originalmente por Gal Costa, no início da década anterior. Foi a consagração. Paulo Ricardo e companhia lotaram o Ginásio Nilson Nelson e levaram o público ao delírio. Muitos trintões e quarentões, com certeza, têm aquele momento guardado na memória.

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