Caneladas da Copa

Caneladas da Copa

CARLOS ALEXANDRE carlosalexandre.df@dabr.com.br
postado em 27/05/2014 00:00

;Os jogadores não estão nem aí para isso;, disse o homem com o cargo mais difícil do país, o técnico da Seleção, Luiz Felipe Scolari, ao comentar se haveria uma preocupação do time com as manifestações pré-Copa. Analisada sem contexto, a frase pode parecer desprezo aos protestos contrários à realização de um campeonato mundial em meio a tantas adversidades. Mas não é bem assim. Scolari está satisfeito com os estádios ; ;a Copa dentro de campo está bem administrada. A Copa fora de campo não é assunto nosso, da Seleção ou da CBF; ;, pois somente no campo ele poderá alcançar a glória que lhe interessa. Concentra o foco na conquista do hexacampeonato em casa. Não seria exagero dizer que ele é o brasileiro mais preparado para a empreitada. Ou alguém tem objeção?

Não esperem Luiz Felipe Scolari, no entanto, para explicar a bagunça na preparação da Copa. Ele cuida do time. Outros cuidam de outros problemas, cada um no seu setor. Nessa escalação, ainda vai rolar muita bola até o maior artilheiro de todas as Copas e integrante do Comitê Organizador Local, Ronaldo Nazário, explicar por que está envergonhado com o atraso monumental das obras. Em 2011, Ronaldo também provocou gritos da torcida ao afirmar que ;Copa não se faz com hospital;. Naquela época, o jogador disse que o legado da Copa seria uma importante conquista do povo brasileiro.

Em resposta ao lance de Ronaldo, a presidente Dilma Rousseff lembrou Nelson Rodrigues. Disse que não há motivos para ter complexo de vira-lata e que podemos nos orgulhar de tudo o que foi feito. E Ronaldo rebateu, declarando o voto a Aécio Neves na corrida presidencial. Nesse climão de Fla-Flu, o mais recomendável é considerar as declarações de personalidades públicas como provocação de arquibancada. Felipão e Ronaldo, que estão com o prestígio à prova e têm serviços extraordinários prestados ao futebol, talvez devessem medir mais as palavras, sob o risco de cometerem ou sofrerem falta grave.

Não é segredo para ninguém ; nunca foi, na verdade ; que teremos uma Copa muito aquém dos sonhos. O problema é esse projeto se tornar um pesadelo para o país, no futebol e na política. Passamos em segundo lugar na primeira fase. O cuidado agora é para não ser eliminado na próxima rodada.

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