Líderes debatem avanço extremista

Líderes debatem avanço extremista

postado em 27/05/2014 00:00
 (foto: John Macdougall/AFP)
(foto: John Macdougall/AFP)



Ainda sob o impacto da vitória política conquistada por legendas eurocéticas e de extrema-direita nas eleições para o Parlamento Europeu, encerradas no último domingo, os governantes dos dois carros-chefes do bloco defenderão hoje, em um encontro entre os líderes dos 28 países-membros da União Europeia (UE), mudanças de orientação e de estrutura que possam reconquistar os cidadãos para o projeto continental. O presidente da França, o socialista François Hollande, cujo partido obteve o pior resultado da história em uma eleição europeia (14%), questionou a ;distância; da UE em relação aos cidadãos e propôs que ela se torne mais ;simples, clara e efetiva;. Mais prática, a chanceler (chefe de governo) alemã, Angela Merkel, que ajudou a própria legenda a manter a primeira posição no país, apesar da perda de eleitores, deu a receita: o foco deve ser ;elevar a produtividade, crescer e gerar empregos;.

Os blocos tradicionais pró-UE continuarão formando maioria sólida, segundo estimativas ainda parciais dos resultados. O Partido Popular Europeu (centro-direita) deve eleger 214 eurodeputados e, como maior bancada, pleiteia a eleição do ex-premiê de Luxemburgo Jean-Claude Juncker como novo presidente da Comissão Europeia (CE, braço executivo do bloco), mas terá de negociar com o Partido Socialista Europeu (189 cadeiras) e com os liberais (66). As diversas legendas eurocéticas devem somar 38 mandatos, mas chegarão para a nova legislatura exibindo resultados de peso. Na França, a Frente Nacional (FN) foi o partido mais votado, com 25%. No Reino Unido, o fenômeno se repetiu com o Partido da Independência (27%). Na Grécia, a surpresa veio da extrema-esquerda, com a vitória da Syriza (26%).

;A UE se tornou remota e incompreensível (para os eleitores);, observou Hollande, que reconheceu como fator determinante para o mau resultado das legendas tradicionais a crise econômica, que fez dele o presidente mais impopular da França nas últimas décadas. Embora ressaltando que a Zona do Euro caminha para a recuperação, o líder socialista questionou o remédio: ;O preço foi uma política de austeridade que tornou as pessoas insensíveis;. Merkel, por sua vez, convocou os partidos europeístas a ;reconquistar esses eleitores (perdidos para os céticos), principalmente na Alemanha e na França;. Embora a União Democrata Cristã (CDU), da chanceler, tenha vencido, perdeu votos e cadeiras ; inclusive para a legenda de protesto Alternativa pela Alemanha.

;O desafio eurocético está lançado tanto para o países-membros como para as instituições da UE;, analisa Jean-Dominique Giuliani, presidente da Fundação Robert Schuman, instituto de pesquisas com sedes em Bruxelas e Paris. ;A exigência é que os governos digam a verdade a respeito das reformas que assumem, ainda que isso lhes custe o poder.;


39 deputados
Bancada da extrema-direita no novo Parlamento Europeu, segundo projeções

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação