Morte por desnutrição é investigada

Morte por desnutrição é investigada

Criança de 7 meses chegou a hospital na Asa Sul com pouco mais de 1kg e não conseguiu sobreviver. Segundo ficha preenchida na unidade, a mãe seria usuária de crack e álcool %u2014 inclusive na gestação. Ela nega que deixava de alimentar o filho

» ADRIANA BERNARDES
postado em 27/05/2014 00:00
O falecimento de um bebê de 7 meses é investigado pela 1; Delegacia de Polícia da Asa Sul. A criança morreu de desnutrição no Hospital Materno Infantil (Hmib), em 8 de dezembro do ano passado, pesando apenas 1,125kg. O quadro clínico evoluiu para choque séptico e insuficiência respiratória. Um dia antes de chegar ao hospital, o menino já estava em estado gravíssimo. Era a segunda vez que ele passava por atendimento na unidade hospitalar em menos dois meses. Na primeira, em outubro, o garoto ficou 45 dias internado e recebeu alta pesando 3,045kg.

A suspeita é de que a mãe não o alimentava corretamente. No primeiro semestre do ano passado, o bebê foi diagnosticado no Hospital Regional do Gama com fenda palatina ; comumente chamada de lábio leporino. Os profissionais que o receberam recomendaram cirurgia para resolver a deficiência. A mulher, moradora de Luziânia, tem mais oito filhos, entre eles, uma menina com deficiência mental. A família sobrevive do salário pago pelo Estado a essa garota.

Segundo documentos a que o Correio teve acesso, a família era acompanhada pelo Conselho Tutelar do Jardim Ingá, onde mora, devido ao estado de vulnerabilidade social. Na ficha de notificação de violência doméstica ; preenchida pelo Hmib ;, está escrito que os médicos constataram a ;desnutrição e uma síndrome genética a esclarecer. Mãe usuária de crack e álcool, inclusive durante a gestação;.

A mãe da criança, entretanto, negou à polícia ser usuária de drogas ilícitas. Admitiu a utilização do álcool, mesmo durante a gestação. Também negou que alimentasse de forma incorreta o filho. Disse que ela não recusava o leite oferecido de três em três horas, conforme recomendação dos médicos do Hmib. A mulher teria afirmado ainda que quase não pegava o filho no colo ;para ele não pegar manha;. Por isso, ele ficava deitado quase o tempo todo. A mulher afirmou que agia da mesma forma com os nove filhos.

Inquérito

A delegada Renata Malafaia, responsável pelo caso, já ouviu cerca de 10 pessoas ; entre familiares e profissionais que atenderam mãe e filho. Deve ouvir mais duas testemunhas antes de completar o inquérito. Segundo ela, se as suspeitas se confirmarem, a mulher deverá ser indiciada por homicídio doloso ; quando há intenção de matar ;, pois era a responsável pelo filho. A Secretaria de Saúde informou que acompanha o caso, mas não pode dar qualquer informação porque ainda está sob investigação.

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