Varejo aposta alto nos jogos

Varejo aposta alto nos jogos

Negociação da convenção coletiva dos comerciários atrasa definições sobre o horário de funcionamento das lojas durante o campeonato. A expectativa é de que, até amanhã, as entidades de classe tenham um posicionamento

» THAÍS PARANHOS » ARIADNE SAKKIS
postado em 27/05/2014 00:00
 (foto:  Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

A exatos 20 dias antes de Brasília sediar o primeiro jogo pela Copa do Mundo, as entidades de representação do comércio ainda não fecharam um esquema de funcionamento para as datas das partidas. Não se conhecem também detalhes sobre a operação de segurança e como o trânsito será afetado ao redor da arena. A capital brasileira é a única das 12 cidades sedes onde o estádio fica localizado no centro, por isso, as restrições ao comércio impostas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), em um primeiro momento, não afetarão os shoppings situados dentro do raio de 2km a partir do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Uma das razões para a indefinição do horário de funcionamento é o fato de as empresas e os comerciários estarem em negociação da convenção coletiva. O presidente da Federação do Comércio (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, reconhece que isso dificulta a criação de uma regra válida para todos. ;Os trabalhadores querem incluir na discussão o funcionamento do comércio nos dias de jogos. A Copa é uma festa e eles querem assistir aos jogos com os familiares e os amigos. Só que o comércio não pode desprezar esse volume grande de pessoas que vem a Brasília;, ponderou Santana.

A expectativa é ter um posicionamento até amanhã. Enquanto não há nenhuma diretriz conjunta, a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) tem dado orientações gerais aos associados. Em dias de jogos do Brasil, a recomendação é fechar as portas uma hora antes da partida. ;Quando o jogo for às 13h, o ideal é ter estrutura para o funcionário ver a partida no local de trabalho e reabrir a loja depois. Se o jogo for às 17h, a orientação é para liberar os funcionários e fechar as portas;, explica Álvaro Silveira Jr., presidente da CDL. Dois shoppings da cidade, um deles próximo ao Estádio Nacional, informaram que colocarão telões e televisões para que funcionários possam assistir às partidas da Seleção Brasileira.

Mesmo com a indecisão, alguns setores do comércio esperam um incremento nas vendas durante o Mundial. Produtos e serviços de maior afinidade com a competição, como eletrodomésticos, materiais esportivos, bares e restaurantes projetam, por baixo, um faturamento 50% maior durante o campeonato. ;Eles podem até dobrar os lucros. Nunca se vendeu tanta televisão. São esperados milhares de turistas. Será um boom na cidade. Temos de aproveitar isso;, afirma Silveira Jr.

A gestora administrativa de uma loja de itens esportivos Valdinei Araújo Silva conta que o estabelecimento tem vendido cerca de 30% a mais nos últimos dias. ;Estamos vendendo de 20 a 30 camisas do Brasil por semana. O cliente que vem aqui compra uma para ele e outra de presente;, contou. O estoque de material foi reforçado na esperança de aumentar as vendas com o início da competição, em 12 de junho. Além das camisas do Brasil, que custam em média, R$ 230, a loja vende outros produtos, como bonés, bandeiras e bolas de futebol.

Entre bares e restaurantes, a expectativa é de recuperar os cerca de R$ 700 mil investidos nos últimos três anos na qualificação de 2,5 mil funcionários do setor. Mas a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF) espera resultados mais animadores do que os obtidos durante a Copa das Confederações. Segundo Jaime Recena, presidente da entidade, o ideal seria um aumento de 50% nas vendas. Resultados menores de 30% representariam um prejuízo para o setor. ;Criamos alternativas para auxiliar os estrangeiros e lançamos um guia em três idiomas. Fizemos a nossa parte. Vamos ter sete jogos em Brasília, esperamos que isso seja um fator importante para ter um movimento maior;, detalha.

Fiscalização
Por exigência da Fifa, nos dias dos jogos, apenas produtos licenciados poderão ser comercializados em um raio de 2km de distância da arena. A medida atinge, principalmente, vendedores ambulantes. Por isso, a Praça de Alimentação da Feira da Torre foi adequada e só oferecerá produtos de parceiros da entidade esportiva.

Para garantir o respeito à norma, pelo menos 200 agentes da Secretaria de Ordem Pública e Social farão a fiscalização. Outros órgãos do governo também participarão da operação de segurança e vistoria durante as partidas, mas, até agora, o esquema oficial não foi divulgado. Os ambulantes pegos pela fiscalização perderão as mercadorias. Em caso de venda de itens falsificados, o comerciante poderá ser preso.

O que diz a lei

De acordo com o Decreto Distrital n; 34.432, de 10 de junho de 2013, durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014, apenas a Fifa tem o direito de realizar atividades comerciais, promocionais ou de publicidade na área de restrição comercial, nos dias de eventos, bem como na véspera das partidas. A legislação proíbe qualquer tipo de comércio de rua na área. No entanto, o art. 4; da norma assegura a continuidade das atividades publicitárias e comerciais dos estabelecimentos já existentes e regularmente instalados na área de restrição comercial, desde que tais atividades não façam associação aos evento esportivo.



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