Morte de mendigo revela insegurança na 307 Sul

Morte de mendigo revela insegurança na 307 Sul

Mendigo se desentende com colega e morre esfaqueado embaixo de um bloco. Comerciantes e moradores reclamam da criminalidade na região, principalmente depois que um batalhão da Polícia Militar foi desativado

» GUILHERME PERA » JULIANA CONTAIFER
postado em 08/06/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)


Donos de lojas e funcionários da 307 Sul convivem com a falta de segurança toda noite. Alguns relatam que, após um Batalhão da Polícia Militar ter sido desativado na região, aumentou o número de brigas entre moradores de rua. Na madrugada de ontem, um desentendimento atrás da área comercial causou a morte de um e ferimentos graves em outro, que, até o fechamento desta edição, seguia internado no Hospital de Base do DF.

A discussão aconteceu entre as 23h e a 0h. Dois homens ; cujos nomes a Polícia Civil não revelou até o fechamento desta edição ; se esfaquearam nas proximidades do Bloco F da quadra residencial. ;Um deles morreu embaixo do prédio, o outro veio até a guarita pedir socorro. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou rápido;, contou o porteiro José Valdir de Aguiar, 46 anos. Não se sabe o motivo do desentendimento.

Os comerciantes da comercial reclamam da falta de policiamento durante a madrugada. Para Luana Freitas, 28 anos, gerente de uma loja da 307 Sul, o desativamento do batalhão que ficava ao lado do posto de gasolina aumentou a insegurança. ;É difícil. Já fui ameaçada por um dos guardadores de carro por não querer dar dinheiro. Uma alternativa é estacionar na quadra residencial, mas tenho de passar pelos moradores de rua. Até porque, onde funcionava o batalhão, hoje, é dormitório deles;, reclamou.

A morte do homem aconteceu menos de dois meses após um protesto dos moradores da região. Na manhã de 12 de abril, cerca de 200 pessoas se mobilizaram para pedir mais policiamento na área. Eles se reuniram após uma tentativa de assalto na manhã de 9 de abril. Uma babá estava com uma criança no parquinho, quando um bandido tentou roubar a bolsa dela. A vítima se recusou a entregar o pertence, e o criminoso, então, mordeu o braço dela antes de fugir.

Na ocasião, o administrador de Brasília, Jean Carmo Barbosa, afirmou ser necessário aumentar a rotatividade da polícia. ;Ampliamos a iluminação da cidade, e vamos começar a mexer na W3 Norte e na região dos anexos dos ministérios;, disse, à época. Apesar disso, a insatisfação é crescente e os lojistas contrataram seguranças particulares para a área. ;Sempre convivi com o problema do crack aqui. Já me assaltaram duas vezes e nada de polícia. Em parceria com outros donos de estabelecimentos, contratei um vigilante. Está difícil a situação;, critica Renata Carvalho, 30 anos, dona de um restaurante na 307 Sul.

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