SEU BOLSO

SEU BOLSO

Tesouro Direto é boa opção a longo prazo

» CELIA PERRONE
postado em 08/06/2014 00:00

Planejar investimentos para fazer uma viagem nas próximas férias, comprar um carro no ano que vem, uma casa daqui a cinco anos, ou mesmo garantir a aposentadoria. O mercado financeiro oferece várias alternativas para quem quer alcançar objetivos como esses. Uma boa opção para os que desejam resultados a longo prazo é o Tesouro Direto. E nem é preciso ter muito dinheiro. Nesse tipo de aplicação, o investidor empresta ao governo por meio da compra de títulos e, em troca, recebe juros.

Marcos Sarmento Melo, mestre em finanças do IBME-DF, observa que ;a rentabilidade e a segurança do Tesouro Direto tendem a ser maiores que a da caderneta de poupança, e que a facilidade de fazer a aplicação é grande também. Além disso, o risco é muito baixo porque a chance de o pagamento não ser honrado é muito pequena. ;Em último caso, o governo pode emitir dinheiro para pagar as dívidas, coisa que nenhum outro agente financeiro pode fazer;, explica o professor do curso gestão de instrumentos financeiros do Insper, Alexandre Chaia.

O único risco dessa aplicação é o de mercado ; a possibilidade de oscilação nas taxas, coisa que qualquer outro investimento também enfrenta, segundo Sarmento. O rendimento ou preço de um título pode variar diariamente de acordo com o aumento ou a redução da procura por ele. ;Se você compra um papel com taxa prefixada (determinada no momento da aplicação) e a Selic (taxa básica da economia) sobe, ele tende a perder valor porque embute uma remuneração menor do que a taxa de mercado naquele momento. Se a Selic cai, o título tende a aumentar de valor porque entregará ao aplicador um rendimento mais elevado;, explica Sarmento.

Mas o investidor só ficará exposto a esse sobe e desce do mercado financeiro se decidir vender o título antes do vencimento. Se mantiver o papel até a data de resgate, receberá a taxa de juros contratada na data da compra, sob qualquer circunstância. ;Como são normalmente aplicações de longo prazo, a desvantagem seria a falta de liquidez, mas, para resolver esse problema, existem os leilões semanais de recompra , feitos pelo governo às quartas-feiras, para quem precisar do dinheiro no meio do caminho;, lembra Chaia. Nesse caso, porém, é bom verificar a cotação do título no momento para não sofrer perdas.

Diferenças
Para saber que papel escolher, é preciso definir o prazo e o que se pretende fazer com os recursos. O próprio site do Tesouro Nacional disponibiliza um questionário para identificar o tipo de aplicação mais adequado a cada perfil de investidor. ;Para quem mira prazos curtos, os títulos pós-fixados são boas opções, pois são corrigidos diariamente pela Selic. Para os que pensam a médio prazo, os prefixados podem ser boas alternativas. Já para os que almejam a aposentadoria, o melhor é optar por um papel que siga a inflação;, sugere Amerson Magalhães, diretor da Easynvest Título Corretora.

Se o investidor não sabe ao certo quando precisará do dinheiro ; e talvez tenha de se desfazer do título antes do vencimento ;, as LFTs ( Letras Financeiras do Tesouro) são indicadas porque acompanham a oscilação diária da taxa básica de juros. São recomendadas para os mais conservadores. No entanto, como o risco de mercado é menor, em geral também é o papel que paga menos.

A LTN (Letra do Tesouro Nacional) é um título prefixado que permite ao investidor saber exatamente quanto vai receber no vencimento. É indicada para quem aposta que o rendimento será maior que o da Selic no período. As NTN-F ( Notas do Tesouro Nacional ; Série F) também são prefixadas. Mas o investidor recebe juros a cada seis meses, o que aumenta a liquidez e possibilita reinvestimentos.

As NTN-B (Notas do Tesouro Nacional ; Série B) seguem o índice oficial de inflação (IPCA), mantendo o poder de compra do capital ao longo do tempo, além de oferecerem um rendimento real. São, por isso, aconselhadas a quem deseja fazer poupança a médio e longos prazos. Também permitem o pagamento semestral de juros. A NTN-B Principal tem as mesmas características, mas o rendimento total só é pago no resgate. Isso traz conforto ao investidor que não deseja ter preocupação e trabalho, além de reduzir o custo de transação.

Como aplicar
Para investir, o interessado deve entrar na página do Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto), fazer um cadastro em uma instituição financeira e enviar a documentação. Feito isso, recebe uma senha por e-mail e pode começar a aplicar o dinheiro. Para escolher uma corretora ou banco, é preciso prestar atenção, porque os custos podem tirar rentabilidade da aplicação. No próprio site do Tesouro, há uma relação dos agentes financeiros cadastrados e das taxas que cobram. O valor mínimo para começar o investimento é de R$ 30, ou 0,1% do valor do título que se pretende comprar.

Os rendimentos obtidos são sujeitos ao Imposto de Renda, mas a alíquota diminui com o prazo: vai de 22,5% para aplicações de até seis meses a 15%, taxa válida para operações com mais de 720 dias. Também se paga uma taxa de 0,30% ao ano, a título de custódia dos títulos, para a Bolsa de Valores de São Paulo (BM).


; Batendo a caderneta


Os papéis do Tesouro têm proporcionado rendimento superior aos da tradicional caderneta de poupança, que tem a vantagem de ser isenta do Imposto de Renda. ;Se alguém investir R$ 1 mil na caderneta e a mesma quantia numa LFT, ao fim de cinco anos terá R$ 1.302 na poupança e R$ 1.450 no papel do governo;, explica Marcos Sarmento, professor do curso Gestão de Instrumentos Financeiros do Insper. Além disso, no atual cenário econômico, o retorno da poupança tende a ficar abaixo da inflação. ;Com a carestia alta e Selic em 11% ao ano, quem deixa seus recursos na poupança está perdendo dinheiro;, acrescenta Amerson Magalhães, da Easynvest.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação